Os biocombustíveis despontam como uma alternativa não somente menos poluente como também mais barata, apesar das dúvidas quanto a capacidade do petróleo de atender a crescente demanda por energia. Para Daniel Yergin, Presidente do Cambridge Energy Research Associates (CERA), a produção de petróleo deve aumentar 20% nos próximos anos, embora algumas previsões indiquem a escassez desse bem. Isso deve ocorrer devido ao uso de tecnologias mais avançadas, principalmente no que diz respeito à exploração de águas profundas.
Segundo Yergin, os últimos anos têm sido de ansiedade sobre o petróleo, considerado hoje um mercado muito difícil. Um dos fatores responsáveis pela maior procura pela energia desta fonte é o crescimento econômico de países como a China, que constrói duas novas usinas hidrelétricas por mês para atender sua demanda energética
Durante apresentação no São Paulo Ethanol Summit 2007, Yergin afirmou que o nacionalismo de recursos voltou a ser uma preocupação, embora o impacto econômico no petróleo seja maior que o causado por esse combustível na própria economia. Para ele, não há escassez física do petróleo, sendo que o maior risco de abastecimento desse bem se encontra nas relações que ocorrem “em terra”.
Na visão do presidente da CERA, o Brasil se destaca como pioneiro na exploração de petróleo em águas profundas e como precursor do desenvolvimento do etanol, além de apresentar uma indústria que integra a agricultura e a energia, algo que está apenas começando nos Estados Unidos.
Yergin também ressaltou o fato de que é preciso diversificar as fontes disponíveis para garantir a segurança energética. Nesse sentido, deve-se considerar o grande poder que o empresariado tem na formação de um mercado global de etanol, no qual o Brasil deverá ser o maior exportador. “É preciso pensar os biocombustíveis no contexto global. Há muito capital privado entrando no setor energético em busca de inovação”, afirma.