Na discussão sobre o pré-sal, algumas opiniões relevantes, retiradas de matérias do Valor: clique aqui.
Armínio Fraga
Sobre o modelo de exploração
Fraga acha fundamental preservar a competição e a transparência qualquer que seja o modelo adotado - quer se mantenha o atual sistema de leilões de áreas de exploração, quer se adote o de partilha da produção. Ele ressalta que, dada a magnitude das reservas e complexidade da operação dos campos do pré-sal, será preciso fazer "um investimento igualmente vultoso" para viabilizar a extração do petróleo, algo que pode ficar na casa de US$ 500 bilhões. "É algo que vai exigir muita competência técnica. É um desafio altamente relevante definir como se vai mobilizar capital e tecnologia do modo mais eficiente para esse objetivo."
Para Fraga, se for adotado o modelo de partilha, não se deve dispensar a licitação na escolha das empresas.
Fundo soberano
Para ele, a melhor opção é deixar os recursos a serem obtidos num fundo no exterior (a maior parte das receitas com o petróleo, vale lembrar, será em dólares), com o rendimento da aplicação do dinheiro sendo repassado anualmente para o orçamento, para ser gasto de acordo com as necessidades da sociedade. Com isso, as futuras gerações também vão se beneficiar do dinheiro gerado pelo petróleo do pré-sal, nota Fraga.
Apreciação cambial
Fraga reconhece, no entanto, que deverá haver uma tentação muito grande para utilizar parte dos recursos imediatamente em educação, saúde ou infra-estrutura. O problema, diz, é que trazer uma quantidade grande do dinheiro para o país pressionaria o mercado de câmbio, levando o BC a esterilizar os reais pelos quais os dólares foram trocados, elevando a dívida interna.
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Modelo de Marlin
Ex-presidente do BNDES, Mendonça de Barros considera uma boa opção para explorar o petróleo do pré-sal a constituição de uma sociedade de propósito específico (SPE), sob a guarida do BNDES, nos moldes do que foi feito para a exploração do campo de Marlim, nos anos 90. Por esse modelo, a Petrobras ou outras empresas a serem contratadas se encarregariam da parte operacional, ficando com parte da receita obtida com a venda do produto. A outra parte caberia à SPE. "Não é necessário inventar moda. O modelo de Marlim é uma opção interessante."
Destinação dos recursos
Ele considera legítima a discussão sobre o destino do dinheiro a ser arrecadado com o petróleo do pré-sal- se será utilizado na educação ou na saúde, por exemplo. "No caso da privatização da Vale do Rio Doce, um terço dos recursos ficou no BNDES para financiar projetos regionais."
Ilan, o disse-e-desdisse
Ilan, o disse e desdisse
O ex-diretor do BC Ilan Goldfajn, sócio da Ciano Investimentos, considera precipitada a discussão sobre o que fazer com o dinheiro, por avaliar que o importante no momento é debater como mobilizar os recursos para extrair o petróleo do pré-sal, uma operação complexa e muito cara. "São recursos de que hoje o país não dispõe", adverte ele. "Discutir coisas como o fundo soberano é algo para 2015. No momento, a discussão deve ser sobre como cobrir o rombo soberano. "Há economistas de bancos, porém, que acham que a discussão sobre o uso dos recursos deve começar desde já porque parte desses recursos pode ser antecipada com os leilões de exploração.
Fábio Giambiagi
Déficits em conta-corrente podem deixar de ser um problema no dia em que o Brasil começar a explorar os recursos do pré-sal, mas primeiro é preciso tirar o petróleo do fundo do mar e para tanto ainda falta. O risco é que a conta do aumento do investimento seja paga pelo setor externo e, daqui a 2 ou 3 anos, o país tenha novamente déficits em conta-corrente de 4 a 5 % do PIB.
Conclusão
Economistas teóricos propõem questões; pessoal de mercado, sugestões.