A indicação de Carlos Minc para o Ministério do Meio Ambiente foi um tiro no pé do governo Lula. E mostra que prossegue as dificuldades de avaliação do governo (clique aqui).
O homem é ele e seu estilo. E o estilo de Minc é o de criar o conflito e a figura do “inimigo” como maneira de se blindar contra críticas contra sua gestão. É típico. Cria-se o inimigo. Depois, qualquer crítica debite-se aos “interesses contrariados”.
É jogo manjado mas incompatível para alguém que assumiu função no Executivo federal.
Há um ano, pelo menos, Blairo tem mudado a postura ante o meio-ambiente – em grande parte devido à pressão dos compradores europeus. No ano passado celebrou um acordo com um grande conjunto de ONGs ambientais, com metas claramente definidas.
Qual é a do novo Ministro, ao atacar Blairo, ignorando completamente regras de boa convivência política que devem pautar as relações Executivo federal e estados? É evidente que colocou o ego acima da causa a que cabe ele servir.
E, pelo visto, não vai para por aí.
A motosserra ensandecida
Do Eugênio Bucci em artigo na página 2 do Estadão de hoje: "Um Ministro Performático".
De coletinho folgado e cabelos longos, ainda que ameaçados de extinção, o homem é um happening midiático, uma metralhadora de sentenças bombásticas. Comparado à sua antecessora, a discreta Marina Silva, um símbolo da causa, que lembra uma orquídea em sua exuberância frágil, Carlos Minc está mais para uma motosserra ensandecida varrendo uma plantação de soja.
Ser performático
Em seu artigo, Bucci define adequadamente a linguagem performática:
A intelectual americana Camille Paglia disse certa vez que só vale a pena falar a língua das manchetes. Performática quando quer, ela sabe dar às suas próprias palavras a mais estridente visibilidade. É o que faz o novo ministro.
E como é fácil falar a linguagem das manchetes quando não há discernimento! Na submanchete de "O Globo" de hoje: "Mangabeira diz que região não é santuário e defende indústria na floresta".
AiminhaSantaMarcelina! Anos e anos de discussão sobre o conceito de desenvolvimento sustentável, sobre formas de exploração racional da floresta, sobre maneiras de criar atividades econômicas que explorem e protejam o meio ambiente, e tudo isso ser resumido, na primeira página do Globo, a defender "indústrias na floresta".
Descontando a performance do Minc, o pouco que sobra de conteúdo bate com a idéia do desenvolvimento sustentado, a mesma defendida por Mangabeira Unger.
Deu bug no sistema do Globo, mas a matéria é fiel às idéias de Mangabeira. Sua posição, já conhecida, é que a Zona Franca tem indústrias dissociadas da floresta, que há necessidade de criar atividades produtivas explorando racionalmente o meio ambiente, como meio de evitar a devastação.