De O Globo
SÃO PAULO - A ex-primeira-dama Ruth Cardoso disse nesta sexta-feira ter ficado "indignada" com a exploração política que o governo está fazendo com os gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus familiares. Sem citar o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ou de sua assessora Erenice Guerra, que teria sido responsável pela elaboração do dossiê que aponta os gastos da família do ex-presidente, dona Ruth Cardoso diz, em nota, que na sua época "o dinheiro público jamais foi usado em benefício próprio".
"Mais do que isso, nunca tais gastos foram sigilosos. As despesas eram abertas e todas essas contas já foram aprovadas pelos órgãos competentes", diz um dos trechos de nota divulgada por sua assessoria, sobre a reportagem do jornal "Folha de S. Paulo", que revelou que o dossiê sobre os gastos do ex-presidente teria sido elaborado por ordens de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, principal assessora da ministra Dilma Rousseff.
Na segunda-feira, logo depois que a revista "Veja" revelou a existência do dossiê, a própria ministra Dilma ligou para dona Ruth Cardoso para negar a existência do dossiê. A ministra vinha dizendo que não havia dossiê, mas apenas dados que estavam sendo levantados, cuja divulgação vazou para a imprensa sem seu conhecimento.
"Recebi, com indignação, a tentativa de exploração de gastos de representação como se fossem pessoais, sigilosos, não autorizados ou não aprovados. O exercício de atividades oficiais e protocolares, em geral em compromissos externos, compreende despesas de locomoção, hospedagens, recepções a visitantes estrangeiros e outros itens de representação. Nesses casos, são autorizadas as despesas próprias do exercício da função", disse, em nota, dona Ruth Cardoso.
A ex-primeira-dama afirma ainda que o caso das despesas do ex-presidente vem sofrendo exploração política.
"A menção pontual de determinados gastos, sem a devida explicação de contexto, datas, finalidade e principalmente a quem coube a autorização, pode dar margem a especulações e até exploração política. Nunca o dinheiro público foi utilizado em benefício próprio. Mais do que isso, nunca tais gastos foram sigilosos Dona Ruth defende a abertura de todos os gastos com verbas de representação para que tudo seja divulgado de forma transparente.
"As despesas eram abertas e todas essas contas já foram aprovadas pelos órgãos competentes. Entendo ser necessária a abertura das informações sobre todos os gastos de representação, para que estas questões sejam esclarecidas de forma transparente e contextualizadas", completa a nota de dona Ruth Cardoso.
Comentário
Quem está divulgando os gastos da família FHC como se fossem criminosos (já que estariam no tal dossiê)? Os mesmos veículos que assumem essa posição farisaica de denunciar o suposto dossiê.
Nesse jogo de cena, não há respeito por ninguém, nem mesmo pelas pessoas que supostamente os veículos pretendem defender do suposto dossiê. E bote suposto nisso.
PS - Pelo menos O Globo passou - corretamente - a tratar o dossiê como "suposto dossiê".
Por Alcione Monteiro de Carvalho
Luiz Nassif
Onde está escrito "suposto dossiê" no texto do Globo?
Ou os meus óculos estão defasados ou os seus.
Por favor apontar ou ressaltar em rosa para diferenciar do amarelo como fez na reprodução do artigo.
Resposta
Na Home. Na matéria interna (clique aqui):
1. "Em reunião segunda-feira, tucanos e democratas deverão discutir a possibilidade de criar uma CPI exclusiva do Senado, onde a correlação de forças é mais equilibrada. Apuraria o escândalo dos cartões e o envolvimento de Dilma na elaboração e divulgação do suposto dossiê
2. Segundo a "Folha", Erenice, braço-direito de Dilma, deu a ordem para a organização de um suposto dossiê com todos os gastos de FH e de sua mulher.
3. Os tucanos também cogitavam reconvocar o chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, para dizer se sabia do suposto dossiê.
4. Na ocasião, segundo Virgílio, foram recebidos por Erenice Guerra, a assessora citada pela "Folha" como responsável pela montagem do suposto dossiê sobre gastos do governo FH.