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Luis Nassif foi introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria.

Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.

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O caso Veja (no GooglePages)

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29/03/08 09:57

O dossiê do Estadão

O material do Estadão sobre o caso das contas de FHC, em seguida ao da Folha, é uma demonstração cabal (embora pobre) de como se opera a competição na mídia (clique aqui).

Veja solta o tal dossiê. O tema já estava em fase de morte precoce. Na própria segunda-feira, a Ministra Dilma Rousseff explicou que a Casa Civil estava armazenando todos os dados anteriores a 2002 no sistema. Esses dados estavam em Excel.

Aí a Folha pega o mesmo dossiê e “descobre” que quem comandou a operação foi a Secretária Executiva da Casa Civil Erenice Alves. Virou manchete! A pessoa encarregada do dia a dia da Casa Civil tinha ordenado a operação. Queriam o quê?

Agora, precisando entrar na competição, o “Estadão” comete o seu dossiê, monta o "cozidão" no qual o ponto mais relevante – além do Arthur Virgílio, é claro – é o presidente da OAB dizendo que “se” houve quebra de sigilo, é crime. O “se” salvador perpassa todo o texto.

Na edição impressa uma bela ilustração provando que... provando que... provando que a sala da Secretária Executiva da Casa Civil ficava ao lado do Gabinete da Ministra e do presidente da República.

E la nave va.

O outro lado

Apesar de não resistir aos factóides, a "Folha" publica matéria sóbria de Sílvia Freire, com o "outro lado".

"Provem que não é banco de dados", diz Dilma sobre dossiê

Fernando Donasci/Folha Imagem

Dilma Rousseff e Lula durante cerimônia do programa Território da Cidadania na cidade de Delmiro Gouveia, no sertão alagoano

SÍLVIA FREIRE
DA AGÊNCIA FOLHA,
EM DELMIRO GOUVEIA (AL)

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse ontem que as informações reveladas sobre gastos presidenciais de Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso não são um dossiê, mas sim um "banco de dados" e lançou o desafio: "Provem que não é um banco de dados, provem.

Não fiquem assacando contra nada". Dilma também afirmou que a imprensa deveria revelar quem vazou os dados relativos ao ex-presidente tucano.

"Afirmamos que é um banco de dados e que a quantidade de informações que tem um banco de dados é 20 mil vezes maior do que um dossiê e são essas informações que estão armazenadas na Casa Civil, seja para fornecer para a Comissão Parlamentar de Inquérito, se for pedido e se for decidido sob a responsabilidade de sigilo da CPI, seja para informar o Tribunal de Contas da União", disse a ministra, em entrevista em Delmiro Gouveia (AL).

A Folha publicou ontem reportagem em que afirma que a ordem para que fosse montado um dossiê com os gastos pessoais de FHC e sua família partiu da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra. "Não há nesta publicação que saiu na Folha de S.Paulo nenhum dado novo em relação ao que tinha saído na "Veja".

Há uma afirmação por parte do jornal que nós fizemos um dossiê. Nós insistimos que não foi um dossiê", disse ela.

"É óbvio que a parte administrativa da Casa Civil é dirigida pela doutora Erenice. O que a doutora Erenice falou na matéria [da Folha] é a mesma coisa que estamos falando desde a "Veja': nós fizemos um banco de dados", afirmou Dilma.

Pela manhã, em Recife, antes de ir a Alagoas, ela disse: "Não investigamos o governo passado. Reiteramos que não foi feito um dossiê. Não é possível. Não é possível, eu tenho certeza". Afirmou ainda: "Não acho que a Folha e a "Veja" montaram isso [dossiê]. Outros fizeram este trabalho e vocês [da imprensa] estão divulgando".

Mais tarde, em Alagoas, a ministra disse que a imprensa deveria revelar quem vazou os dados relativos ao ex-presidente FHC. "Se estão interessados em apurar mais profundamente este episódio, seria oportuno que aqueles que divulgaram informações que constam de um banco de dados da Casa Civil viessem à público e assumissem. Quem recebeu aquele conjunto de documentos, aquelas páginas, teria de nos avisar quem é que está divulgando estas informações."

Segundo Dilma, quem divulgou as informações sobre FHC está interessado em "criar atritos onde não tem". "Seria interessante apurar quem vazou porque podem ser pessoas que estão interessadas não na apuração de fatos ou na melhoria da forma pela qual o governo federal exerce sua atividade, mas que queiram criar atritos indevidos onde não tem", disse.

"Isto é uma disputa política que não é feita como se deve, em cima de projeto, de discussão. É em cima da escandalização do nada. O estranho é sermos nós, que não divulgamos [uma informação], que fomos objeto de um vazamento, sermos aqueles que são responsabilizados", disse ela, que participou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de uma para instalação do programa Território da Cidadania.

Das manchetes imprudentes

Da mesma edição do "Estadão".

Olha o título:  "Presidente da OAB vê delito em ação da Casa Civil"

É afirmativo, taxativo. Confira a matéria:

“Não existe meio-termo no que se refere ao gasto com cartões corporativos da Presidência da República, ou é secreto ou não é”, declarou ontem Cezar Britto, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “É crime se houve quebra de sigilo e manipulação de dados sob proteção legal e constitucional.”

Ou seja, todas essas afirmações estão condicionadas a um "se": Se é secreto ou não.

De dona Ruth, em O Globo:

A menção pontual de determinados gastos, sem a devida explicação de contexto, datas, finalidade e principalmente a quem coube a autorização, pode dar margem a especulações e até exploração política. Nunca o dinheiro público foi utilizado em benefício próprio. Mais do que isso, nunca tais gastos foram sigilosos.

Quando até o Estadão entra nesse jogo de factóides, dá um desânimo danado.

Por Roberto Grün

Desculpem a (talvez) grosseria. Mas assanharam a malta, assumiram que vivem disso e agora são obrigados a jogar carne continuamente.

Vai ser difícil a imprensa sair dessa toada de escandalização. De um lado essa exploração fácil do "anti-lulismo" que confunde um pouco, já que parece que o alvo é apenas o atual governo. Mas essa estratégia é tb uma acomodação prática às redações esvaziadas que não assim não precisam
de jornalistas com muita capacidade de reflexão e investigação e, além disso, é tb uma afirmação bizarra do "4º Poder" que muitos na imprensa se arrogam.

Quero ver desmontar isso: não me parece fácil sem um grande "deságio" no prestígio da mídia tradicional. Seria interessante se saísse uma nova edição de "Ilusões Perdidas" de Balzac. Se o livro pegasse, seria uma excelente medida do desgaste da imprensa.



enviada por Luis Nassif
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