O caso é grave; a matéria também
Postado por Luiz Weis, no Observatório da Imprensa
”Para governo, caso é grave e exige resposta de ministra”.
O caso a que se refere o título acima, da Folha de hoje, sobre matéria de Kennedy Alencar e Valdo Cruz, é o do alegado preparo de um dossiê com gastos por meio de cartões comporativos para o então presidente Fernando Henrique e a sua mulher, Ruth.
Em manchete de primeira página e ao lado da rubrica “exclusivo”, o jornal atribui à secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, “braço direito” da ministra Dilma Rousseff, a responsabilidade pela montagem da relação – um documento de 13 páginas a que a Folha diz ter tido acesso ontem.
Grave, além do caso, é a mencionada matéria sobre os efeitos políticos potenciais do furo do jornal.
Por trechos como os seguintes:
”A cúpula do governo avalia que a situação da ministra […] se agravou […]”.
”Ontem, integrantes da cúpula do governo demonstraram preocupação com a situação da ministra […]”.
”[…]um ministro de Lula classificou a informação [da Folha] de gravíssima e disse que Dilma pode ser arrastada para o centro da crise.”
”Cúpula do governo”? “Integrantes da cúpula do governo”? “Um ministro de Lula”?
A vaguidão desses termos, numa reportagem sobre assunto de tamanha importância, depõe contra a credibilidade do texto.
Se os autores não podem identificar as suas fontes, podiam ao menos dizer quantas são e quais as áreas do governo em que atuam. Podiam dar a idéia mais aproximada possível, sem publicar os seus nomes, do seu lugar no sistema de decisões do Planalto e de sua presumível influência junto ao presidente da República. Por que eles – supondo que de fato sejam mais de um – representam, ou integram, a “cúpula” do Executivo?
E quanto às suas eventuais motivações? Ou isso não pesa?
O público não tem por que dar cheques em branco a jornalistas. Estes é que deveriam se sentir obrigados a lhe dar um mínimo de garantias de que as opiniões de seus informantes anônimos merecem ser levadas em conta por serem eles efetivamente quem se sugere que sejam
O caso do rol de compras
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa
A única exceção é a Folha de S.Paulo, que colocou seus repórteres na pista de Veja e revela que as informações foram coletadas por uma assessora de confiança da ministra Dilma Roussef.
Faz disso sua manchete de hoje, e já chama o caso de "Dilmagate". Mania da Folha de batizar tudo quanto é assunto.
A rigor, a única novidade é uma coisa já sabida: como o acesso a informações sobre gastos pessoais de autoridades e seus familiares é protegido por senhas só acessíveis a uns poucos funcionários de alto escalão, o surgimento de um nome era apenas questão de tempo.
Mas aquilo que mais interessa ao leitor não está dito: a lista com alguns itens de gastos pode ser chamada de "dossiê"?
Por justo
Nassif; Já viu a calma e a serenidade dos esclarecimentos? Clique aqui