27/08/08 11:05
O engenheiro que virou banqueiro
Coluna de 03/11/2005
O Brasil descobriu a gestão nos anos 90. É quando a metodologia moderna, somada à flexibilidade do gestor brasileiro, permitiu desenvolver uma escola de gestão cada vez mais reconhecida internacionalmente.
Antes dessa revolução, há três exemplos clássicos –e pouco estudados-- de gestão inovadora no país: o do empreiteiro Norberto Odebrecht, e dos banqueiros Amador Aguiar e Olavo Setúbal, cada qual com seu método, cada qual com seu sucesso. Há outros grandes financistas e empreendedores. No plano estrito da gestão, nenhum que se igualasse a essa trindade.
O processo que levou o Itaú de 150º banco nacional ao segundo durou apenas 10 anos, de 1965 a 1975.
Filho do poeta Paulo Setúbal, Olavo perdeu o pai com 14 anos e foi encaminhado pelo tio Alfredo Egydio, irmão de sua mãe, e membro da elite paulista da época, que passava a enveredar por outros negócios.
Um dos preferidos era o setor bancário. Quando eclodiu a Segunda Guerra, foi fechado o mais relevante banco brasileiro, o Francês e Italiano. Houve uma implosão que espalhou sementes de pequenos bancos por todo o país, constituídos por ex-funcionários do Francês e Italiano, em sociedade com sócios capitalistas, industriais ou cafeicultores sem nenhum conhecimento do ramo.
Com mais de 80 anos, Olavo Setúbal está firme, comparecendo diariamente à sede da Itaúsa (a holding que controla o banco), no Jabaquara. Ele e o Itaú são filhos diretos do cartesianismo da Escola Politécnica de São Paulo.
Os velhos empresários brasileiros achavam que os ingleses passavam os segredos da siderurgia de pai para filho. Na Poli, Olavo descobriu que o conhecimento científico podia ser aprendido através de leitura e estudos disponíveis no mundo acadêmico.
Em vez do empirismo da gestão brasileira da época, passou a utilizar as modernas metodologias de organização e método. Traçava a rota, media os resultados, avaliava as correções e não agia emocionalmente.
Ainda na Poli, Olavo montou a Deca, em sociedade com um colega. Depois, o tio o requisitou para tocar a Duratex.. Bem sucedido, foi convocado pelo tio para dirigir o pequeno Banco Federal de Crédito, 150º em uma relação de 200 bancos brasileiros. Levou junto os colegas da Poli que estavam na Duratex. Olavo passou a codificar tudo. Ele mesmo escreveu as primeiras circulares do banco. O primeiro processo codificado foi o caixa.
Depois, o organograma.
Bem gerido, o banco quase quebrou quando foi confundido com a Cooperativa Federal de Crédito, que ficou sob intervenção do BC. O susto alertou que o caminho era ou crescer ou desaparecer.
Em 1965 o Federal tinha reserva de gestão para começar a sua expansão. E a nova Lei Bancária, mais a estabilização, criavam espaço para um radical processo de consolidação bancária.
Sem capital, o primeiro salto foi através de fusões. Juntou-se ao Sulamericano, de Luiz Moraes Barros, um banco quatrocentão, ao Banco da América da família de Herbert Levy, cuja origem era o café na praça de Santos e ao Itaú, de quatrocentões de Minas Gerais, os Albino Siqueira. Mas a participação societária era muito diluída, nenhum sócio tinha mais que 5%, favorecendo os acordos de acionistas e a posterior consolidação do controle.
Mais à frente, duas compras garantiram o segundo lugar no ranking brasileiro. Uma delas, a do Banco Português, de José da Silva Gordo. A outra, em 1975 –que encerra o ciclo-- do Banco União Comercial (BUC), dirigido por Roberto Campos, e que dobrou o tamanho do Itaú. Com seus manuais codificados, em dois anos o BUC foi absorvido em apenas dois anos, mesmo com seus 1.200 contratos de difícil recebimento.
Apesar de engenheiro e de origem industrial, Olavo assimilou completamente o espírito banqueiro: adora Fernando Henrique Cardoso e acha que o filho Paulo (que preside a Duratex) exagera quando vem reclamar dos juros para o pai.
enviada por Luis Nassif
27/08/08 07:00
O pré-sal em 2002
Coluna Econômica - 27/08/2008
Desde 2002 o governo brasileiro vinha sendo alertado para as potencialidades do pré-sal, inclusive para que alterasse o sistema de concessões – já que, em campos com grande potencial, as regras de partilha costumam ser mais rígidas.
A informação foi passada por Ildo sauer, ex-diretor da Petrobrás, a Juliana Saporito, do Projeto Brasil (www.projetobr.com.br).
Naquele ano, anomalias registradas pelas investigações geofísicas apontavam grande probabilidade de se encontrar mais petróleo, como acabou confirmado.
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O livro “A Reconstrução do Sistema Elétrico Brasileiro”, publicado em 2003 pela Editora Paz e Terra já trazia parte do procedimento da Petrobrás. Segundo a reportagem do Projeto Brasil, a companhia propunha ali uma revisão na partilha do excedente econômico proveniente das usinas hidráulicas e de petróleo e gás. Ali, recomendava-se que os bônus de assinatura parassem de ser vendidos e fossem reestruturados para dar mais lucro ao Governo.
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Na proposta constava o seguinte. Parava-se de vender o bilhete de loteria (o bônus de assinatura) e concedia-se o direito de desenvolver os campos de petróleo aquelas companhias que tivessem maior capacitação tecnológica e financeira e que oferecessem o maior retorno proporcional à produção de cada campo. “E esse recurso produzido assim poderia ser destinado através de uma política também de estado”, conta Suer.
Posteriormente, foram dados novos avisos sobre o valor do campo.
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“Quando a Petrobrás tinha um valor de bolsa de 90 bilhões de dólares e já havia perspectivas de um sucesso enorme nesta área, eu pessoalmente entreguei um bilhetinho ao ministro (Guido) Mantega, sugerindo que ele considerasse uma forma de aplicar as reservas brasileiras que estavam rendendo no exterior e que tinham um grande custo interno, sob forma de dívida pública. Sugeri a ele: olha, cria um fundo, compra as ADRs da Petrobrás em Nova Iorque”, relatou Sauer.
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Em maio do ano passado, o presidente da Petrobrás e o diretor de exploração voltaram a informar o presidente Luis Ignácio Lula da Silva de que havia mais petróleo de boa qualidade no pré-sal. “Isso foi comprovado em maio do ano passado. Antes disso, e assim que comprovado, o governo foi avisado de que deveria repensar o modelo de exploração e rever o regime de concessões”, disse.
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Em outubro de 2007, finalmente, Lula foi convidado a visitar o campo de Tupi e lá viu pessoalmente a perfuração do pré-sal e foi informado sobre o potencial comercial do campo. “Criou-se então um impasse. E o impasse acabou sendo resolvido, felizmente, ainda que com cinco, seis meses de atraso pelo presidente da República, em favor de mudar os blocos. Porque 41 dos blocos que estavam em licitação se situavam em cima de recursos já comprovadamente existentes. Portanto, (mantendo a rodada) se estaria leiloando bilhetes já premiados”, explicou.
enviada por Luis Nassif
26/08/08 08:15
As metas inflacionarias
Delfim Netto tem uma tática conhecida para transitar pelos diversos círculos econômicos. Primeiro, elogia aspectos positivos do círculo contrário, para reduzir resistências e valorizar as críticas. Depois, critica se valendo dos próprios argumentos do pensamento criticado.
Obviamente, é uma tática só acessível a quem tem pleno domínio da análise econômica, como ele.
Mesmo assim, a maneira como elogiava o sistema de metas inflacionárias sempre me incomodou. É um modelo que tem sua eficácia, mas tem suas armadilhas. Ao reduzir todo o combate à inflação à taxa de juros, liberou geral ampliar os ganhos dos rentistas e dar uma previsibilidade que ampliou o jogo especulativo de forma ampla.
É um modelo (pelo menos da forma como é empregado pelo Banco Central do Brasil) que não diferencia formas de inflação, mecanismos de propagação. Tudo se resume a controlar preços pelo canal dos juros, mesmo que a inflação seja importada, que tenha um componente inercial, um choque de oferta.
Em seu artigo de hoje, do Valor, Delfim parte para uma crítica mais ampla do sistema (clique aqui):
(...) Ele evoluiu pelo desenvolvimento de novas instituições e da teoria monetária em resposta aos fracassos do velho sistema (que até então era o "estado da arte") de controlar os agregados monetários e a taxa de câmbio juntamente com políticas de rendas e preços. Da mesma forma que o anterior, entretanto, ele se apóia em pressupostos e conceitos, cujos correspondentes empíricos não são nem bem determinados, nem estáveis.
É preciso reconhecer que o sistema de "metas" exige pelo menos os seguintes pressupostos:
1) que o banco central só dispõe de um instrumento, a taxa de juro de curto prazo. Logo, não pode, por restrição de ordem lógica, perseguir, simultaneamente, dois objetivos (inflação e crescimento). Pode, na melhor das hipóteses, acomodá-los precariamente;
2) que a manobra do banco central sobre a taxa de juros de curto prazo modifica a taxa de juro de longo prazo. É esta, por sua vez, que controla o consumo do setor privado e do governo (quando há restrição orçamentária) e o investimento e, assim, influencia a demanda global que, diante de uma oferta dada, modifica o nível de preços;
3) que a oferta é dada por um "produto potencial" bem determinado e que pode ser dimensionado com alguma confiança e relativa precisão; e
4) que a sociedade cria "expectativas" sobre a taxa de inflação e que o banco central dispõe do conhecimento de como elas se formam e como podem ser manipuladas por sua própria ação e por sua comunicação com o mercado.
Pois bem, com exceção do primeiro pressuposto, que é de ordem puramente lógica, e a despeito do que afirmam pretensiosos economistas, os outros três têm encontrado grandes dificuldades de sobreviver à verificação empírica. Apesar da enorme e permanente tortura a que os dados têm sido submetidos pelos mais hábeis econometristas, apoiados nos mais sofisticados instrumentos, as conclusões são sempre "inconclusivas": em geral, metade diz que "sim", metade diz que "não"! Por maior que seja a pretensão "científica" de nossa profissão, temos de reconhecer a triste e dura verdade expressa no 77º Annual Report do BIS (Junho/ 2007, 139): "A economia não é uma ciência, pelo menos não no sentido de que experimentos repetidos produzem sempre os mesmos resultados".
enviada por Luis Nassif
26/08/08 07:00
A criatividade no software
Coluna Econômica - 26/08/2008
Qual o futuro da indústria brasileira de software? Há um enorme esforço para ampliar as exportações e passar a concorrer com os indianos em mercados desenvolvidos – especialmente o norte-americano. A Índia se fez em cima de incentivos fiscais, formação de técnicos e mão-de-obra barata.
O próprio desenvolvimento do setor encareceu a mão-de-obra. E a Índia não avançou além da prestação de serviços, para pode agregar valor ao seu produto. Assim, teoricamente o Brasil teria aí um campo para competir.
Acaba perdendo espaço devido ao câmbio. No caso da tributação sobre a folha – outro fator de perda de competitividade – o último PPP (Programa de .....) previu isenção para o setor, mas especificamente para o produto voltado para a exportação.
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Ocorre que o grande mercado do setor é o interno – bem maior do que o da Índia. Qualquer modelo consistente de conquista de mercado externo pressupõe uma boa base interna instalada.
O informática é um setor aberto à participação das pequenas e médias empresas. Com as facilidades do trabalho em rede, é possível se criar uma constelação de empresas que possam trabalhar sob encomenda.
E, nesse caso, falta uma política consistente para o setor. A dimensão das pequenas e médias as impedem de conquistar mercado interno. Os custos trabalhistas impedem de formalizar o emprego. Sem a formalização não há a fidelização dos trabalhadores.
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Mais que isso, o estágio atual da Internet mundial exige outros tipos de competência que não são tratadas no país.
Cada vez mais a tecnologia se torna uma commodity. Com a proliferação de redes de desenvolvedores, há um conhecimento básico compartilhado que tornou-o o desenvolvimento acessível a todos. As novas linguagens universais – php, java etc. -, servem de base para plataformas de desenvolvimento – tipo Ning, Wordpress.
Assim, o diferencial dos novos sistemas reside em dois pontos. Primeiro, na combinação de design com funcionalidade. Segundo, na prospecção de novas formas de negócios.
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Tome-se o caso da Google. Não há nenhuma tecnologia revolucionária no seu modelo. A revolução, no caso, veio através do modelo de negócio dos pequenos anúncios e na consolidação – através de parcerias – de seu sistema de buscas e de email. É como se o Google tivesse montado uma plataforma de negócios. Depois, disponibiliza para parceiros que, sobre a camada de negócios do Google, coloca sua própria camada.
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Em muitos outros países, idéias matadoras ajudaram a alavancar sistemas, sem que houvesse grandes inovações tecnológicas. É o caso do ICQ, no início da Internet, ou agora de comunidades como o Unik, Linkedin.
O Brasil tem bom contingente de desenvolvedores em java, php e outras tecnologias básicas. Tem empresas ligadas a comunidades internacionais. Falta o “tcham”, o sopro criativo, a funcionalidade, o modelo de negócios diferenciado.
É a parte mais fácil, desde que se acorde para essa direção. Não exige altos investimentos tecnológicos, em laboratórios, em prospecção. Exige criatividade e jeitinho. Os mesmos, aliás, que transformaram a música brasileira na mais criativa do mundo.
enviada por Luis Nassif
24/08/08 13:45
Um projeto para as Olimpíadas
Coluna Econômica - 24/08/2008
Como virar um campeão olímpico? Primeiro, um contingente de pessoas com potencial para se tornarem atletas. O Brasil tem. Depois, verbas de empresas privadas, públicas e de clubes. Em tese, o Brasil tem. Finalmente, um modelo de gestão moderno e eficiente. Dependendo disso, as medalhas de ouro viram exceção.
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Nas discussões abertas em meu blog (www.luisnassif.com.br), o comentarista André Araújo fez um bom check-up do modelo, segundo ele “um sistema ardiloso que funciona com um truque barato”.
Da base ao topo, a governança é privada. Começa nos clubes, vai às federações e desta às confederações.
“Nesse garimpo os mais ousados e os mais espertos sabem conquistar e manter o poder, de forma padrão. Nas confederações para cada esporte, cada Estado brasileiro conta um voto. Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais podem estar contra um dirigente ruim mas ele alicia os Estados menores com viagens, mordomias e promessas. Com isso o poder se eterniza”.
Esse mecanismo de reproduz em nível estadual. Toda essa grilagem do mando nas entidades é privada, não há intervenção do Governo.
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Mas, no caso da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) o ardil custa caro. As entidades são caixa preta, sem se submeter a nenhuma espécie de fiscalização, nem do tribunal de Contas. Quando conseguem sediar uma competição – como uma Copa do Mundo, Jogos Panamericanos ou Olimpíada - os compromissos viram públicos, porque o País não pode sofrer o vexame de não ter estádios, instalações, etc. Então todo o investimento no evento, feito com dinheiro público, passa pela mão do gestor privado da entidade privada.
Dessa forma, privatiza-se dinheiro público, com os resultados como o dos Jogos Panamericanos, que saíram por um custo dez vezes maio que o orçado.
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Não apenas isso. Na gestão privada, os esportes – especialmente os profissionais – trafegam na zona cinzenta do caixa dois e das operações nebulosas de venda de jogadores. Para grande parte dos clubes – especialmente de futebol – a única atividade econômica relevante tem sido a de preparar jogadores para vendas milionárias (muitas vezes subfaturadas) para o exterior.
Em relação aos esportes amadores, o patrocínio tem sido exclusivo de empresas públicas. Não deve ser oneroso bancar um atleta com potencial. Objetivamente, esse modelo ainda não vingou no país. E, aí, falta uma ação de governo.
Não adianta convencer individualmente uma ou outra empresa a bancar um atleta. Só haverá adesão maciça de empresas quando se criar a “onda” a favor. Tipo, um plano para conquistar tantas medalhas de ouro nas próximas Olimpíadas; anúncios com a cara e o nome de todos os atletas com potencial.
O próprio presidente poderia convocar as empresas, no âmbito do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) e incumbir cada setor de se responsabilizar por um esporte olímpico. Se possível dando o chamado by-pass nas federações.
Que tal o Ministério dos Esportes dizer a que veio?
enviada por Luis Nassif
22/08/08 07:00
Lobão e o pré-sal
Coluna Econômica - 22/08/2008
Tem faltado ao Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, conhecimento mais aprofundado sobre mecanismos financeiros modernos. Especialmente em um momento em que a exploração do pré-sal exigirá investimentos vultosos da Petrobrás e do país.
Duas edições atrás mostrei mecanismos capazes de permitir à Petrobrás se capitalizar e à União juntar recursos para bancar os programas paralelos necessários para viabilizar a exploração da bacia de Santos.
Haveria um processo de “unitização” do campo – transformando em um enorme condomínio. Pelas informações geológicas, é uma bacia só, de tal maneira que se torna impossível a cada concessionário definir qual o “seu” petróleo. Unitizando o campo, se calcularia sua capacidade total, o percentual que cabe a cada concessionário e o percentual que cabe à União.
A União, então, aportaria esse percentual à Petrobrás. Transferiria para a Petrobrás em troca de ações da companhia. Depois, ofereceria parte dessas ações aos minoritários, de acordo com o que determina a Lei das Sociedades Anônimas.
O dinheiro apurado na venda das ações permitiria constituir um fundo para bancar a política industrial e a capacitação de fornecedores que ajudarão na exploração da bacia.
A União não apenas não precisaria dispender um tostão agora, como conseguria antecipar parte do faturamento futuro. Tudo isso sem nenhum prejuízo da criação da Petrossal e da exploração dos demais campos existentes no pré-sal.
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Em entrevista à “Folha”, Lobão rechaçou a proposta, argumentando que não lhe parece “realizável” ampliar a participação da União de 40 para 60%.
Diz ele que, para se tornar viável a proposta depende de 20% dos acionistas
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, rechaçou ontem a proposta atribuída à Petrobras de promover um aumento de capital da empresa de até US$ 100 bilhões para elevar a participação do capital da União na companhia de cerca 40% para 60%. "A proposta não me parece realizável", disse.
Lobão vê uma série de problemas na idéia. Em primeiro lugar, para se tornar viável, a proposta depende de 20% dos acionistas minoritários não subscreverem o direito que têm de aumentarem o seu capital. "A União só aumentaria o seu capital se os acionistas privados não exercessem seu direito. A minha pergunta é: alguém deixará de exercê-lo?"
E qual o problema? Definindo o preço justo, o minoritário adquirirá os papéis e pagará a União, que ficará com dinheiro em caixa.
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“Além disso, Lobão também considera extremamente elevado o valor de US$ 40 bilhões que a União teria que dispor para manter os atuais 40% no capital total da Petrobras”, diz ele. Não entendeu nada. O aporte da União seria com seus ativos na própria bacia que será explorada. Não precisaria pagar um tostão.
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No modelo apresentado, não haveria impacto sobre o déficit público, não se dependeria do orçamento público, haveria antecipação de receita e os aportes necessários para a Petrobrás poder alavancar mais investimento.
No fundo, se houver boa vontade do Ministro, não será necessário muito esforço para entender a lógica da operação.
enviada por Luis Nassif
21/08/08 07:00
A lógica da Petrosal
Coluna Econômica - 21/08/2008
Os recursos do pré-sal tem que ser claramente identificados e sua destinação discutida com todo o país. Se não for isso, entrará no orçamento público, será gasto sem nenhum planejamento, abrindo espaço apenas para o desperdício e o populismo.
Por isso, em princípio a criação da Petrosal é salutar, assim como a de um fundo soberano, para gerir os dólares obtidos com a venda de petróleo.
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É evidente a importância de se analisar e fiscalizar o modelo de criação da Petrosal, visando impedir que se transforme em cabide de emprego ou atue sem transparência. Mas o espaço institucional a ser ocupado é importante.
A lógica da exploração do pré-sal é a mesma de qualquer produto relevante e finito – como o caso do cobre, no Chile. O petróleo não irá durar para sempre. Por isso mesmo, parte do que render agora tem que ir para um fundo que aplique na construção do futuro. Essa tem sido a tônica de todos os fundos soberanos, seja do Chile ou dos Emirados Árabes. Dubai aplicou bem seus recursos e hoje pode viver sem os roiyalties do petróleo.
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Outra razão para se ter o fundo soberano é impedir que a receita em dólares acabe apreciando tanto o real que torne não competitiva a produção interna. É patente o exemplo da Venezuela, país que nada em petróleo há décadas, e não consegue produzir o que consome.
Hoje em dia, fundos soberanos da Coréia, dos Emirados, da China têm se posicionado estrategicamente, adquirindo participação em setores-chave da economia mundial.
Assim, cumprem duas funções: impedir a apreciação exagerada da moeda local e criar uma base sólida para o futuro.
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Da mesma maneira, há justificativas de monta para a criação da Petrosal. Ela será uma espécie de administradora de imóveis para terceiros. Isto é, não possuirá ativos, nem irá atuar na operação. Mas lhe caberá, como representante do governo, discutir modelos de negócio, administrar contratos, garantir a destinação dos recursos para os fins que forem determinados.
A história de que poderá ser cabide de empregos ou se prestar a negociatas é um sofisma. O que se tem que analisar é, primeiro, se há necessidade de uma empresa para cuidar desses ativos. É óbvio que há.
Tome-se o caso da OBX, do empresário Eike Baptista. Ele conseguiu atrair investimentos no exterior que, inclusive, toparam participar de todo o risco da operação. Tudo isso graças a uma engenharia financeira eficiente.
A exploração do pré-sal exigirá essa expertise.
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Há riscos da Petrosal ser cabide de emprego, de empregar mal o dinheiro utilizado, de não cumprir suas funções?
Há. Mas a alternativa não é não criar a empresa, mas ficar em cima para que sua constituições seja bem feita e ela blindada de interferências espúrias.
Quais as alternativas propostas: deixar por conta do Ministério de Minas e Energia? Há uma regra invariável na administração pública brasileira: tudo o que depende da administração direta não tem continuidade. O Ministro que entra interrompe o trabalho do Ministro que sai.
Políticas públicas eficientes são garantidas por órgãos da administração indireta, como a Embrapa, Petrobrás, Inmetro etc.
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enviada por Luis Nassif
20/08/08 07:00
A Petrobrás e a bioenergia
Coluna Econômica - 20/08/2008
A Petrobrás preparava-se para se transformar na empresa de energia verde quando veio a descoberta do pré-sal.
Apesar do extraordinário desafio do pré-sal, a bioernergia é importante demais para ficar em segundo plano.
O papel de cuidar da área ficou em uma nova subsidiária, a Petrobras Bioenergia, criada com a estrutura interna da empresa que já trata da questão. Já nasce grande, explica seu presidente Alan Kardec.
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A nova empresa será a junção das áreas internas da Petrobras que já trabalhavam com o produto.
Por exemplo, Abastecimento cuidava do etanol. Há uma meta de produção de 4,75 bilhões de litros/ano até 2012, que deverá ser mantida no novo planejamento estratégico da companhia.
A idéia será utilizar o diferencial da Petrobrás para parcerias que possam deslanchar os negócios sem comprometer muitos recursos internos. No caso da exportação, foi desenvolvido um Complexo Bioenergético, parceria com a empresa japonesa Mitsui (20%), Petrobrás (20%) e um produtor nacional tradicional (Cerrado Açúcar e Álcool). O investimento total será de US$ 227 milhões.
Para cada projeto será seguido esse modelo tripartite: um parceiro internacional que traga não apenas recursos, mas mercado; um parceiro nacional que produza álcool; e a Petrobras com a logística, os contatos internacionais e imagem internacional forte. O primeiro acordo de acionistas permitirá a exportação de 200 milhões de litros/ano para o mercado japonês.
Para atingir a meta de 4,75 bilhões de litros/ano, serão necessários 20 complexos similares.
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Uma segunda área da Petrobras que tratava do tema era a de Gás e Energia que cuidava das unidades de biodiesel – que passarão também para a Petrobrás Bioenergia. A primeira unidade foi inaugurada em Candeias; a segunda em Quixadá, a terceira em Montes Claros. Também nessa área estão sendo costurados acordos internacionais.
Para o biodiesel, a estratégia para 2008-2012 será a de produzir 938 milhões de litros/ano e liderar o mercado produtor.
A ênfase continuará sendo a produção familiar, através do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Para obter o selo combustível social (e poder participar dos leilões da Agência Nacional de Petróleo), tem que comprar um determinado percentual de agricultura familiar. Para o nordeste, a exigência é de compra mínima de 50% da matéria prima. A usina de Candeias foi inaugurada com 58%, basicamente com fornecimento de dendê, amendoim, soja e girassol.
Outro caminho promissor, segundo Alan Kardec, será o reaproveitamento de óleo de fritura de alimentos. Já existem ONGs organizadas com esse propósito.
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Uma terceira área é a de pesquisas, que continuará no Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), que receberá mais recursos. O investimento em tecnologia será essencial. O Cenpes está investindo pesado em etanol celulósico. A tecnologia já existe mas ainda não é economicamente viável.
Em uma mesma área de cana destinada ao etanol, usando bagaço e palha se amplia a produção em 60%.
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enviada por Luis Nassif
19/08/08 07:00
Uma proposta para o pré-sal
Coluna Econômica - 19/08/2008
As decisões a serem tomadas nos próximos meses serão um divisor de águas para o país. Se estará no cume da montanha, podendo cair para o lado da Noruega ou da Nigéria – e outros países, grandes produtores de petróleo e miseráveis.
O petróleo é finito. Mais importante que sua extração no pré-sal é a política industrial daí decorrente. Se o pré-sal permitir industrializar o país, o ganho será permanente.
Só para o pré-sal da Bacia de Santos, está programada a compra de 70 navios que deverão custar em média US$ 150 milhões a 200 mi cada um; 28 navios-sonda, de US$ 800 milhões a US$ 1 bi; mais 140 barcos de apoio: US$ 50 mi. No total, serão mais de US$ 40 bi de investimentos em produtos que serão adquiridos pela Petrobrás.
Por trás deles, terá que se investir em estaleiros, em fábricas de turbinas, fábricas de grandes motores para navios. Depois, na indústria de movelaria para a hotelaria dessas navios, indústria de tintas, até indústria de software para operar os navios.
Onde buscar esse dinheiro sem comprometer a relação dívida/PIB ou sem cair na burocracia do orçamento federal?
Há um modo.
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O ponto de partida são as indicações de que os campos descobertos em alguns blocos ultrapassam o limite demarcado na concessão. Esse excedente pertence ao governo.
Para tanto, há a necessidade do chamado processo de “unitização”. Isto é, criar uma espécie de condomínio para a área e definir o percentual que cabe a cada concessionário (proporcional à sua área) e ao governo (proporcional às áreas do campo que ainda não foram licitadas).
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Feito isso, se poderia proceder da seguinte maneira:
Passo 1 – Precificar os ativos estatais nesse “condomínio”a bacia de Santos. Para tanto estimar o valor de um barril de petróleo no subsolo hoje, no estado em que está, e multiplicar pelas reservas de propriedade da União.
Passo 2 – Esse valor seria aportado na Petrobrás, como capitalização, ampliando a participação da União na empresa. Dependendo de ajustes adicionais na contabilidade nacional, essa operação ajudaria a reduzir a relação dívida/PIB.
Passo 3 - Pela Lei das S/A, a União se obriga a cumprir com regra de direitos dos minoritários que queiram acompanhar no aumento de capital. Ao fazer o aporte ela recebe um montante de ações e coloca à disposição dos minoritários que queiram acompanhá-la no aporte. Quem quiser acompanhar, terá que pagar pela ação o preço estabelecido. Com isso, coloca-se dinheiro agora na mão do governo.
E aí se fechará o ciclo. Esses recursos poderão vir a constituir um fundo para desenvolver e capacitar a indústria brasileira, para produzir o máximo possível das demandas industriais exigidas para a exploração da bacia de Santos.
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Tudo isso se refere exclusivamente à Bacia de Santos. Não se deve esquecer que o pré-sal vai da costa de Santa Catarina ao Espírito Santo.
Não haveria incompatibilidade com um eventual modelo norueguês: a criação da uma estatal enxuta para administrar o restante do pré-sal, a Petrossal. Seria uma espécie de síndico sem propriedade, administrando as as propriedades da União.
enviada por Luis Nassif
17/08/08 09:46
Brasil na Liga dos Campeões
Coluna Econômica - 17/08/2008
Daniel Dantas é passado. Eike Baptista e novos gestores de fundo, o futuro. O jogo que vem pela frente é imensamente maior do que tudo o que se viu no Brasil até agora. A avaliação é do Grupo de Economia de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
A exploração do pré-sal (os novos campos de petróleo descobertos), a exploração energética do Amazonas, o urânio, o biocombustível, a inserção do Brasil na América Latina, a internacionalização das empresas brasileiras joga o país no Divisão Especial da economia mundial. Nos próximos anos serão jogados lances com escalas inconcebíveis até agora para o país.
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O jogo será sofisticadíssimo envolvendo um sem-número de interesses do país, do governo e de grupos privados.
Com a privatização era simples. A riqueza estava lá e bastaria definir quem iria se apropriar dela. Agora, as possibilidades são muito mais amplas. E aparentemente não há um arcabouço institucional ou uma discussão que permita tomar decisões que serão fundamentais para o futuro desenho do país.
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Agora, o leque é amplo. Quem fica com o pré-sal? As instituições brasileiras estão em condições de gerir conflitos? A extensão da influência de Dantas – sobre partidos políticos, Judiciário, Executivo, Legislativo e mídia – mostra que não. E agora, quando o jogo se tornará mais pesado?
A face do Brasil mudará nas próximas décadas. Seremos um player mundial. As possibilidades abertas permitirão resolver os problemas da miséria e da exclusão social; permitirão criar um parque industrial robusto; permitirão saltos nas pesquisas tecnológicas. Ou permitirão apenas o enriquecimento de alguns grupos. Tudo dependerá da discussão que anteceder as decisões de governo.
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Por enquanto, as discussões são empobrecedores. Há os defensores de que o pré-sal seja explorado pela Petrobrás porque o petróleo é nosso. Há os que são contra uma nova empresa, porque viraria cabide de emprego.
Há os que são a favor de entregar às multinacionais por questão ideológica.
Até agora, o campo de Tupi tem permitido uma taxa de sucesso na perfuração de 100% - historicamente a média de sucesso é 15%. A maior parte do campo ainda não foi objeto de concessão. Se Lula quisesse faturar agora, bastaria fazer a licitação, recolher os lances e sair gastando.
Ocorre que o jogo tem que ser visto de forma muito mais ampla:
1. O Brasil tem que se capacitar para entrar no jogo geopolítico internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, estão achando que podem se livrar do Oriente Médio com a produção brasileira. O Itamaraty está preocupado com os acordos comerciais, mas o lance, agora, é muito mais amplo. Terá que se habilitar para entrar nesse jogo diplomático.
2. Japoneses e chineses têm chegado aos magotes, querendo participar do jogo.
3. Internamente, onde se pretenderá distribuir a receita dos novos campos, quando começarem a produzir?
Pode-se resolver definitivamente o problema da Previdência Social, da educação, pode-se montar políticas industriais.
Em suma, dizem os especialistas do IE, o Brasil entrou na liga dos Campeões. Mas continua jogando como se fosse um mero Rio-São Paulo.
enviada por Luis Nassif
15/08/08 07:00
Um lance sem retorno
Coluna Econômica - 15/08/2008
O Brasil não será o mesmo depois da Operação Satiagraha. É o grito profundo, primal, como o berro do parto ou da saída da adolescência.
Era previsível que, mais cedo ou mais tarde, aconteceria algo do gênero. O país avançou muito, a Internet trouxe uma lufada de informações novas, acabou o modelo quase oligopolizado de circulação de informações, o mercado de opinião – aquele mercado estreito, no qual cabiam poucos veículos de circulação nacional – abriu-se para novos atores.
No plano social e político, a ascensão da nova classe C mudou o perfil eleitoral do país. Verdades estabelecidas passaram a ser questionadas, valores de cidadania a serem reclamados.
Nesse contexto, não houve como segurar a tampa do caldeirão.
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O modelo político torto foi aprofundado pelas distorções trazidas pelo período que se convencionou chamar de neoliberal. Dinheiro de caixa dois, dinheiro do grande capital, recursos do crime organizado, tudo confluiu para paraísos fiscais, de onde escorreram para o controle dos chamados gestores de fundos – alguns profissionais, outros inescrupulosos.
Esse jogo produziu distorções profundas no Chile dos anos 80. O principal banco estatal chileno passou para controle de um jovem banqueiro de investimento, que havia feito sua pós-graduação nos Estados Unidos e se aproximado dos gestores de fundos americanos. Depois de abusos, o então ditador chileno general Pinochet ordenou a prisão dos principais aventureiros e repôs a privatização no devido lugar.
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No Brasil, permitiu-se além da conta a influência desses gestores. O governo Fernando Henrique Cardoso foi extraordinariamente permissivo, com o então presidente do Banco Central Gustavo Franco chegando a autorizar operações irregulares em Foz do Iguaçu. O governo Lula não foi melhor, com o diretor Alexandre Schwartsman abrindo ainda mais as formas de controle sobre essas operações.
Criou-se um poder infernal, um casamento entre gestores barras-pesadas, políticos de vários partidos – especialmente PSDB e PT -, parte expressiva da grande mídia, figuras influentes no Judiciário, no Congresso e nos próprios órgãos policiais.
Parecia um poder invencível.
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Em alguns momentos deu para trazer à tona esse jogo, especialmente na CPI dos Precatórios e do Banestado. Mas tudo terminava debaixo de um silêncio devastador.
A Operação Satiagraha desmontou esse pacto ignominioso. Delegados de Polícia, juízes de primeira instância, procuradores, muitos trabalhando contra o boicote da própria hierarquia, romperam o véu de silêncio.
O que se vê agora é um jogo canhestro de tentar melar o inquérito ou de desmoralizar as pessoas. Em vários momentos, pode-se “construir” ou “desconstruir” reputações no país, seja através de campanhas caluniosas, seja simplesmente espalhando que autoridade tal é “messiânica”, “populista” ou coisa do gênero.
Tentou-se de tudo para desmoralizar o juiz De Sanctis e o delegado Protógenes. Não se conseguiu. As sementes plantadas nessa investigação mudarão a cara do país. Ainda que o custo seja muito alto para todos os que acreditam em uma Nação mais justa.
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enviada por Luis Nassif
14/08/08 08:16
Meio ambiente e agricultura
Coluna Econômica - 14/08/2008
A questão do meio ambiente só será resolvida, no país, quando houver um trabalho transversal junto os ambientalistas, agricultores e empresários em geral. Não há outra forma. No caso da Amazônia, por exemplo, a única maneira de evitar o desmatamento será definir formas economicamente sustentáveis de exploração da floresta. Sem isso, a única maneira de evitar o desmatamento será o Estado exercer seu poder de polícia. E esse poder, além de mal exercido, não evitará o desmatamento.
Os entendimentos se deram em relação ao passivo ambiental em áreas de preservação permanente, recuperação de áreas degradadas da Amazônia e no Cerrado, recomposição de reservas legais e Áreas de Preservação Permanente com espécie exóticas consorciadas com nativas.
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Segundo a repórter Juliana Saporito, do Projeto Brasil, o avanço deverá ficar exclusivamente na possibilidade de que os produtores possam fazer a recomposição da reserva legal fora de suas áreas produtivas, como em outras terras particulares ou em terras públicas, para que cumpram a lei sem diminuir a produção.
"Estamos estudando a viabilidade legal disso. Em terras particulares, por exemplo, a recuperação teria que ser no bioma e no estado de origem. No caso da área pública, o produtor poderia adotar uma área referente ao que tem, por lei, que recompor. É bom para ele e é bom para o governo", disse Carlos Minc, em nota divulgada no site do MMA.
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Existem mais temas de discordância que de concordância. O ponto central de discordância são os itens do Decreto 6514, do último dia 22 de julho, que altera dispositivos da Lei de Crimes Ambientais (9605/98).
O decreto institucionaliza exigências ambientais e sanções que vão da advertência em caso de descumprimento até a apreensão de animais e da produção, suspensão na venda de produtos e suspensão parcial ou total de atividades em áreas de preservação. E também prevê multas simples e diárias.
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É um total de 154 decretos. Algumas determinações são consideradas inviáveis do ponto de vista da agricultura, como a obrigatoriedade da averbação da Reserva Legal (a área de, no mínimo, 20% de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso). Em regiões como Sul e Sudeste, haveria a redução de áreas produtivas.
Outro ponto são as culturas localizadas em Áreas de Preservação Permanente. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, metade da produção de café no país está nestas áreas, além de quase 100% da produção de maçã em Santa Catarina, 50% da uva do Rio Grande do Sul e metade dos canaviais do Nordeste.
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Evaristo Miranda, pesquisador e um dos coordenadores do PAC da Embrapa, considera que cerca de 70% do território brasileiro tornaram-se inviáveis legalmente para a atividade produtiva.
Nos próximos dias, se tentará chegar a um meio termo que permita preservar o ambiente e preservar a produção agrícola.
enviada por Luis Nassif
13/08/08 07:00
O plano viário de BH
Coluna Econômica - 13/08/2008
Um dos grandes desafios do planejamento contemporâneo é o trânsito nas grandes cidades. Especialmente nas regiões metropolitanas.
Um planejamento que começa a repercutir é o que foi montado pela prefeitura de Belo Horizonte, através de sua companhia municipal de trânsito.
Primeiro, o planejamento mapeou 148 pontos de estrangulamento da cidade, atuais e futuros (que poderão aparecer nos próximos dez anos). Depois, foi montada uma matriz, em cima de quatro prioridades:
1. Mobilidade urbana.
Se a população da cidade quiser privilegiar a questão da fluidez do trânsito, haverá necessidade de descentralização do sistema viário. A cidade é bastante centralizada, já que a planta – planejada no final do século 19 – era radiocêntrico. A partir do centro abriam-se as ruas de forma concêntrica. Para melhorar a situação, se terá que inverter essa lógica.
Um dos caminhos é através da criação de eixos estruturais para transporte coletivo, nos moldes dos corredores de ônibus de São Paulo.
Além disso, haveria a necessidade de melhoria das condições de acessibilidade das ruas.
2. Sócio-ambiental
Uma segunda prioridade é a melhoria das vias de acesso aos bairros mais carentes. E também a melhoria das condições ambientais. Nesse caso, as obras necessárias serão aquelas que integrem essas regiões. E também as chamadas avenidas sanitárias, que permitem somar fatores de drenagem, condições sanitárias etc.
3. Questão econômica
Visando otimizar os recursos para melhorar as condições de acesso às áreas comerciais e industriais da cidade.
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Através da metodologia desenvolvida, será possível conferir um peso a cada prioridade. E o sistema devolverá o conjunto de obras que atendam
Se cidade quer planejamento mais voltada para questão econômica, planejamento é um. Se mais para questões sócio-ambientais, é outra.
Definem-se vários cenários e, a partir do peso conferido a cada um, o sistema apresenta o conjunto de obras necessárias para aquele atendimento.
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Em qualquer cenário, não haverá como não definir restrições ao transporte individual, ou através de pedágio ou de restrição de trânsito. Segundo Fernando Pimentel, não haverá como não restringir, embora ainda não se tenha o modelo adequado.
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O plano é só para Belo Horizonte. Levou dois anos sendo feito. Agora, vai ser oferecido às prefeituras do entorno que queiram compartilhar da tecnologia.
A metodologia foi trabalhada basicamente pelos técnicos da Prefeitura de Belo Horizonte, a BHTrans, empresa municipal de turismo e pela Secretaria de Obras Públicas, com apoio de consultorias de projetos da cidade, mas usando as informações dos técnicos municipais.
Segundo o prefeito Fernando Pimentel, o modelo poderá ser aplicado a qualquer grande conglomerado do país. Tem-se uma ferramenta de gestão que poderá ser oferecido a qualquer cidade ou estado.
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O valor total do projeto é de R$ 2,5 bilhões – quase um orçamento anual de Belo Horizonte. E haverá financiamento das instituições multilaterais.
enviada por Luis Nassif
12/08/08 07:00
Biodiesel: para cada região, uma solução
Coluna Econômica - 12/08/2008
O grande eco-economista Ignacy Sachs prognosticou uma nova civilização tropical, a partir da energia da biomassa. Não apenas a impessoalidade das grandes plantações de soja ou de cana-de-açúcar, mas a diversidade de diversas culturas e diversas formas de economia agrícola.
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A produção de matéria-prima para o biodiesel não precisa ser restrita aos grandes produtores ou a apenas uma cultura. As pequenas propriedades familiares e as entressafras, se bem aproveitadas, podem garantir ao Brasil a auto-suficiência energética sustentável.
“Exportar biodiesel nas atuais condições é ambientalmente insustentável. A substituição de importação é o objetivo imediato do setor”, garante Univaldo Vedana, analista de biodiesel do portal BiodieselBR.com para o site Projeto Brasil (www.projetobr.com.br).
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Por isso mesmo, o recente alarido em torno da mamona (considerada imprópria para o biodiesel pela Agência Nacional de Petróleo) não tem razão de ser. Primeiro, pelo fato de que a mamona pode ter utilização mais nobre, como lubrificante de alta viscosidade. Depois, pelo fato de haver várias maneiras – na mistura ou na pesquisa agrícola – para “empobrecê-la”, se se quiser que seja utilizada como biodiesel.
Mas o ponto central é que o biodiesel pode ser produzido a partir de uma cultura adequada a cada região.
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Para o nordeste, há o pinhão manso, a leucena e a moringa. São indicados para áreas secas, não dependem de chuvas regulares e são adequados ao plantio em associação. Abóbora, gergelim, feijão guandu e outros, quando plantados em consórcio, são beneficiados da sombra e camada vegetal proporcionadas pelas oleaginosas.
A região Norte seria beneficiada com a produção do dendê. Entre outras plantas nativas, ele poderia ser utilizado para reflorestamento de áreas desmatadas pela pecuária, que se degradam rapidamente. “Só o estado do Pará estaria apto a produzir todo o biodiesel necessário para o país”, afirmou Donato Aranda, engenheiro químico e coordenador do Laboratório de Tecnologias Verdes (Greentec) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No Sul, está comprovado o sucesso da canola, da linhaça, do nabo forrageiro e do girassol de primavera. No Centro Oeste, como em Goiás, a produção de girassol também foi eficaz. Nas áreas em que o plantio de soja ou milho já foi implantado, é possível utilizar-se da entressafra para o cultivo de plantas como girassol, amendoim, canola, crambe e linhaça.
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A agricultura mecanizada pode ajudar as grandes usinas a suprir os centros de maior demanda energética e, mais tarde, a exportar. As pequenas usinas são viáveis para a produção de energia para cooperativas e municípios.
O uso inteligente das terras brasileiras pode assegurar ao país alimento e energia com vantagens sociais e ambientais. “Falta um Estado indutor, com política agrícola satisfatória”, colocou Vedana. São precisos, no entanto, revisão da carga tributária, concessão de benefícios e políticas agrícolas específicas e regionais para que o plano dê certo.
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enviada por Luis Nassif
11/08/08 07:00
Porque caem os preços
Coluna Econômica - 11/08/2008
Nos últimos dias, o dólar subiu frente às demais moedas internacionais e o petróleo caiu. Não foi coincidência.
Com a interligação dos mercados globais, é interessante entender como se dá esse jogo financeiro global.
Existem o mercado de moedas, o de títulos públicos, as Bolsas de Valores e as Bolsas de Mercadorias (onde se negociam as commodities agrícolas). Nos últimos anos multiplicaram-se novos mercados de derivativos (operações derivadas de outras), como foi o caso do subprime.
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Na linguagem financeira, todos esses mercados são comparáveis entre si através das análises de rentabilidade. O mote do mercado é comprar ativos que estão baratos e vender depois que ficam valorizados.
Com essa uniformização, acabaram as barreiras que separavam, por exemplo, o mercado de moedas do mercado de commodities. Se o fundo “hedge” (o mais especulativo) sente que determinada moeda está se valorizando, tratará de adquirir ativos expressos naquela moeda. Se sente que está se desvalorizando, vende.
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No caso do real, quando o investidor sentia que havia espaço para valorização da moeda, tratava de trazer dólares, trocar por reais, comprar ou títulos públicos ou ações na Bolsa. Na saída, ganhava os juros (ou a valorização das ações) mais a valorização do real no período.
Por exemplo, em 9 de fevereiro o dólar estava valendo R$ 1,769. Quem trouxesse US$ 1 milhão, converteria em R$ 1.769.000,00. Se o dólar caísse para R$ 1,55, esse mesmo valor, sem um centavo de acréscimo, o investidor conseguiria levar para fora US$ 1.141.290,00 – 14% de lucro, sem computar os juros. E vice-versa, se o movimento se inverte, há perdas.
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Repare, portanto, que na hora de entrar em um país, o investidor soma os juros com a projeção do desempenho da moeda local. No caso dos Estados Unidos, em determinado momento o dólar se desvalorizava e os juros caíam, para fazer frente à crise do subprime. Como conseqüência, parte relevante dos fundos “hedge” foi para ativos que os protegesse da desvalorização do dólar. Como o consumo mundial de alimentos e de petróleo aumentava, correram para esses ativos, acelerando o movimento de alta.
No início, a cada queda do dólar, aumentavam os preços das commodities em dólar, para compensar a desvalorização da moeda. Com a ida maciça dos fundos hedge, os aumentos passaram a superar a desvalorização do dólar e o resultado foi a inflação mundial.
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Acontece que o dólar continua sendo a moeda referencial do mundo. E parte desses fundos foram para outros ativos mas mantendo a mão no coldre – esperando o primeiro sinal de reversão do dólar para retornar. Esse sinal poderia ser o aumento dos juros dos EUA. Mas acabou sendo a projeção de redução do crescimento da economia mundial.
Foi o sinal de que não haveria mais espaço para elevação de preços de commodities. Nessa hora, costuma ocorrer o efeito-manada inverso, uma corrida para sair desses mercados antes que despenquem mais.
É esse movimento que determinou o início da reversão dessa alta das commodities.
enviada por Luis Nassif
08/08/08 07:00
Os caminhos pós-Doha
Coluna Econômica - 08/08/2008
O que será do pós-Doha para a agricultura brasileira? Criou-se a dicotomia acordos multilaterais (decisões tomadas por todos os países) ou acordos bilaterais (com blocos ou países).
Na verdade, nos últimos anos, enquanto Doha patinava, o agronegócio brasileiro passou a buscar, por conta própria, caminhos que estão se mostrando bastante efetivos.
Há uma lição de casa a ser feita: o aprimoramento das questões sanitárias, o avanço do sistema de certificações de conformidade, a adaptação dos padrões sanitários brasileiros aos dos principais parceiros comerciais - visando desarmar futuras barreirras fitossanitáerias.
Há também a questão regional, que deverá avançar de forma consistente. Nos últimos anos, frigoríficos brasileiros entraram na Argentina, Uruguai e Chile, inicialmente visando minimizar dois riscos: as barreiras fitossanitárias e o câmbio.
Nos próximos anos, a integração será física (através das obras do IIRSA), de mercado (através da Bovespa BMF) e integrando a produção. É uma marcha inevitável. No plano internacional, a soma das produções dos dois países criará uma potência imbatível. No plano interno, a complementaridade de culturas e de mercados.
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Mas o grande avanço está se dando nessas aquisições internacionais por empresas brasileiras. Para driblar o câmbio, as restrições sanitárias e tarifárias, passaram a comprar mercados em outros países - competidores, em geral endividados ou defasados, mas com parcelas expressivas de mercados nacionais.
É aí que deverá se inseria a estratégia dos fundos soberanos. O Brasil precisará fincar pé nos grandes mercados
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A JBS Friboi, por exemplo, possui plantas na Argentina e nos próprios Estados Unidos. Com isso, a empresa poderá minimizar os impactos da restrição criada pelo serviço sanitário americano, que, estima-se, deve durar ainda cerca de três semanas.
Na última semana, a Marfrig adquiriu a fábrica de carne Noblemark no Uruguai além de outras plantas que já possui no país. Além do Uruguai, a empresa também pretende exportar para o mercado norte-americano a partir de fábricas na Argentina.
O frigorífico Minerva também anunciou ao mercado a aquisição de uma planta em Assunção, no Paraguai. No comunicado, a empresa afirma que a compra faz parte de sua estratégia de expansão internacional para inserção em novos mercados.
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Daí a importância estratégica do fundo soberano, planejado pelo governo. Seria constituído de dólares adquiridos no mercado com sobras do superávit fiscal – na verdade, bastaria desviar para o fundo parte das reservas brasileiras.
Com esses recursos se poderia financiar planos estratégicos relevantes. Na semana passada, por exemplo, a relação dos dez maiores exportadores brasileiros continha, para commodities agrícolas, exclusivamente multiancionais.
Hoje em dia, já há capital interno, gestores, visão de negócios mundiais para que empreendedores brasileiros se aventurem nessa área. E essa visão precisa ser complementada pela compra de participação ou de empresas estrangeiras, capazes de assegurar a entrada em novos mercados.
enviada por Luis Nassif
07/08/08 09:55
O bê-a-bá da inflação
A economista Eliana Cardoso escreve artigo no Valor sob o título “O bê a bá da inflação” (clique aqui para ler a íntegra).
(...) Mas uma grande questão continua em aberto: por que a taxa de juros precisa ser tão alta para manter as expectativas de inflação sob controle e evitar uma espiral salários-preços?
Andrei Spacov (Gávea Investimentos), no Valor (22/7), argumenta que os juros nominais no Brasil são altos, porque refletem um prêmio associado à verdadeira expectativa de inflação (uma média das inflações em diferentes cenários, ponderadas pela probabilidade de ocorrência de cada um deles). E que ela seria diferente da que os analistas declaram no relatório Focus.
Para explicar o argumento, ele se vale de um exemplo. Suponha que existam dois cenários: um, cuja probabilidade é de 90%, onde tudo dá certo e a inflação varia em torno de 4,5%. E outro, cuja probabilidade de ocorrência é de apenas 10%, onde tudo dá errado e a inflação é de dois dígitos. Se não existe um cenário intermediário, nunca observamos a média ponderada dos dois cenários. O analista que declarasse ser ela a sua inflação esperada estaria sempre errado e, por isso, prefere declarar que sua inflação "esperada" é aquela que tem a maior probabilidade de ocorrer.
Ilan Goldfajn (Ciano Investimentos) discorda. Se um cenário de baixa probabilidade viesse a ocorrer, os analistas que deixaram de incluí-lo em suas projeções teriam feito uma projeção pior do que os que consideraram esse cenário. Além disso, a expectativa revelada no relatório Focus é consistente com a inflação implícita na NTN-B, que também é pequena para explicar por que as taxas nominais são altas.
Andrei reconsidera. Descarta a idéia de que uma alta taxa de juros nominal é hoje conseqüência de expectativas inflacionárias mais altas do que as reveladas no relatório Focus. E lembra que a probabilidade de uma inflação de dois dígitos teria de se refletir no câmbio também, o que não vem ocorrendo.
A explicação alternativa, sugerida por Ilan, é que a alta taxa de juros nominal reflete não expectativas de inflação mais alta, mas uma taxa de juros alta em termos reais, necessária para compensar o risco de um não-pagamento da dívida pública. Embora este risco tenha probabilidade muito baixa, o investidor precisa considerá-lo ao calcular o retorno real esperado de um título do governo.
Acho que reflete o receio do mercado em relação às eleições de 2016. Improvável por improvável, fico com a minha improbabilidade
Nesse caso, por que a queda substancial da relação dívida/PIB nos últimos anos não tem permitido uma forte redução da taxa de juros real? Talvez a queda não seja percebida como permanente, já que derivou de fatores cíclicos.
Que tal incluir na análise o fato de que a pesquisa Focus não exprime as expectativas do mercado em relação à inflação, mas as expectativas do mercado em relação ao que ele pensa ser as expectativas do Banco Central? E que o BC tem sido persistentemente um estimulador de perspectivas de inflação em alta?
E por que, apesar da alta taxa de juros real, o nível de atividade encontra-se acima do nível potencial? Resisto à tentação de atribuir o aquecimento da demanda à política fiscal. Afinal, entre dezembro de 2006 e junho de 2008, o déficit nominal caiu de 3% do PIB para perto de zero.
Suspeito que a pressão inflacionária esteja relacionada com a expansão das reservas internacionais que nunca são inteiramente esterilizadas. (...) Além disso, boa parte do crédito oficial é subsidiada, contrariando a política monetária do BC.
enviada por Luis Nassif
07/08/08 07:00
Avanços da integração
Coluna Econômica - 07/08/2008
Em geral, quando se fala em integração da América Latina pensa-se em Mercosul – que é uma mera união aduaneira. Muito mais importante é a Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul Americana (IIRSA) existe desde agosto de 2000, quando ocorreu em Brasília a reunião fundadora.
Segundo o Projeto Brasil (www.projetobr.com.br), com exceção da Guiana Francesa, todos os países da América do Sul participam desse plano do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a Corporação Andina de Fomento (CAF) e o Fundo para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata).
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Com o plano envolvendo a execução de 348 obras em 20 anos e um investimento de aproximadamente 38 bilhões de dólares, a iniciativa tem visibilidade inversa aos números, relata a repórter Nina Adorno. A crítica tem ficado por conta dos movimentos sociais, cientistas e organizações não-governamentais preocupados com os impactos ambiental, econômico e social dessa integração.
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Em geral, há certa incompreensão sobre os objetivos da IIRSA.
No Brasil, a área total de influência das obras será de 2,5 milhões de quilômetros quadrados. Serão atingidas 137 unidades de conservação, 107 terras indígenas – nas quais vivem 22% da população indígena brasileira – e 484 áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade. Somente na Amazônia, o bioma mais afetado, 322 áreas entre as mais ricas em espécies estarão expostas à ação do homem. Tudo isso conforme o relatório A Perfect Storm in the Amazon Wilderness: Development and Conservation in the Context of the Initiative for the Integration of the Regional Infrastructure of South America (IIRSA),do cientista Tim Killeen, da ONG Conservação Internacional (CI).
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Dos seus planos 31 são considerados de curto prazo e, em relação à Carta de Projetos da Iniciativa, 40% já se encontram em distintos graus de execução. “São os projetos que tinham mais sentido do ponto de vista da integração física. O acompanhamento, o monitoramento da análise da gente, principalmente no Brasil, tem se centrado mais nessa lista”, assegurou Afonso Oliveira de Almeida, secretário de planejamento e investimentos estratégicos e coordenador nacional da IIRSA
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A visão incorreta é julgar que a integração parte de uma visão equivocada da economia, de consolidar o papel da região como fornecedora de matéria-prima.
Os críticos temem ainda que a dependência sul-americana em relação aos países ricos e o desequilíbrio local se agravem. “A IIRSA já parte das regiões mais competitivas do continente. Essa definição de competitividade, depois de 20 anos de abertura caótica e irrestrita, fez com que apenas os setores que se moldaram sobrevivessem no continente. É uma lógica voltada para fora e, em geral, especializada em exportação de recursos naturais”, Luis Fernando Novoa, professor da Universidade Federal de Rondônia e membro da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais.
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Ora, a integração criará regiões de desenvolvimento, novos mercados, novas possibilidades de sinergia e, conseqüentemente, de industrialização, agregação de valor, adensamento de cadeia produtiva.
enviada por Luis Nassif
06/08/08 07:00
Os limites do câmbio
Coluna Econômica - 06/08/2008
Mensalmente, a Agência Dinheiro Vivo realiza um encontro de economistas de diversas áreas de especialização e tendências – o “Tornos e Planilhas” – tentando encontrar um denominador comum sobre as perspectivas da economia global e brasileira.
Há uma conclusão quase majoritária: a de que se está próximo do fim da trajetória de apreciação do real. Em algum momento haverá a reversão do câmbio.
Segundo Paulo Tenani, do UBS-Pactual, há duas forças puxando o dólar para baixo. Uma delas, a política de juros do Banco Central. A segunda, a constituição de reservas cambiais, que dá uma sobrevida ao processo de apreciação cambial –
Na outra ponta, há um fantasma cada vez mais presente, puxando o dólar para cima: a deterioração das contas externas brasileiras, que desde dezembro assumiu uma dinâmica explosiva.
Aí se esbarram em fatores extra-econômicos. Professor da PUC-SP, Antonio Correa de Lacerda vê a política monetária-cambial atrelada ao calendário eleitoral. A exemplo do primeiro governo FHC, o que se pretende é segurar a inflação, via câmbio até as eleições presidenciais de 2010.
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Há um fato adicional, que poderá acelerar o desfecho: a queda nas cotações de commodities agrícolas, que começou a ficar mais nítida na última semana. José Vicente Ferraz, da Agra FNP vê como inevitável as cotações despencarem ante a perspectiva de um desaquecimento da economia global.
Ocorre que – conforme já escrevi várias vezes aqui – os mercados de commodities estão fundamentalmente alavancados por fundos hedge. Quando se sente que o caminho é a alta, os fundos entram pesados tornando mais agudo o movimento – o chamado “overshooting”. O mesmo ocorre no sentido inverso. E isso aparentemente começou.
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Na economia global, as mudanças não se restringirão ao comportamento das commodities. Os grandes fundos estão com a mão no gatilho aguardando o início da reversão da desvalorização do dólar frente ao euro e às moedas asiáticas.
Até agora o ajuste do dólar foi feito em cima de países com câmbio flexível – Europa e América Latina, particularmente o Brasil.
No segundo tempo do jogo, prevê Tenani, o ajuste será bancado pelos países que até agora mantiveram suas moedas protegidas, especialmente a China, que será obrigada a permitir a valorização da sua moeda.
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Esse movimento está sujeito a fricções variadas. A China tem uma necessidade enorme de manter altas taxas de crescimento. Nos próximos anos enfrentará desafios econômicos e sociais dos mais intensos. No campo industrial, a necessidade de continuar gerando empregos. Na agricultura, o fantasma apavorante da escassez de água. Hoje em dia, lembra Ferraz, a agricultura chinesa tem produtividade das mais altas devido à irrigação. Mas precisará dobrar a capacidade de sua agricultura e em breve se deparará com a escassez de água.
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Todo esse quadro sugere que o Brasil deveria se preparar rapidamente para a hipótese de reversão do quadro de euforia que marcou a economia global nos últimos anos.
Mas as mudanças, por aqui, só ocorrem em períodos de crise. É a sina histórica do Brasil.
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enviada por Luis Nassif
05/08/08 11:14
A crise do setor elétrico estatal
Por CMagno
De 1978 a 1993 (com a edição da lei 8631), o que se viu era um setor sem regras.
embora a taxa de remuneração (hoje chamada de Wacc sobre a base líquida) fosse de 10 a 12%, devido à utilização dos preços de energia no combate à inflação, o governo passou a adotar uma taxa de remuneração média, para corrigir as tarifas.
Só que as vezes nem a isso chegava.
Tinham 2 particularidades neste modelo:
1) as tarifas eram equalizadas, ou seja, eram iguais para todos os consumidores brasileiros. Isso foi criado em 1974 sob a justificativa de reduzir desigualdades regionais. Como os custos no sudeste e sul eram menores que nordeste e norte, isso fez com que as tarifas onde os custos eram menores ficassem acima da remuneração legal (10 a 12%) e abaixo da legal aonde as tarifas fossem inferior aos custos.
O excedente de receita obtido no Sul e Sudeste iria transferido via RGG (reserva global de garantia) para as empresas do norte e nordeste que ficaram com receita a menos.
A boa intenção virou uma farra. As empresas que recebiam RGG, passaram a gastar mais, pois sabiam que a remuneração a menos seria coberta pelo sul e sudeste.
As empresas do Sul e Sudeste para diminuir as transferências de renda de seus estados para outros (as empresas eram estatais) passaram a aumentar seus custos também.
Com custos maiores, tarifas maiores. Com inflação em alta, maior intervenção federal no reajuste das tarifas.
2) A tarifa, já equalizada, era calculada de forma a dar uma remuneração média entre 10 a 12%. Com custos em alta, incentivados por esse mecanismo politicamente correto que unificava os preços no Brasil, e também por conta da inflação crescente, mudou-se a regra de calcular as tarifas. Ao invés de utilizar a remuneração legal, passou-se a utilizar a remuneração real, que devido aos controles de preço, era inferior.
Assim, a tarifa não era calculada para remunerar de 10 a 12%, mas pela média real do setor, que era inferior a isso.
E para piorar as coisas, a inflação não cedia, e as médias caiam mais ainda, o setor se descapitalizava e os parâmetros utilizados para definir as tarifas (através de um sistema chamado PLANTE), eram sub ou superavaliados, no sentido de dar reajustes menores.
Porém, tinha outra peculiaridade: neste modelo, criado em 1934 no código de águas e regulado em 1957 (Lei 41019), tinha a figura da CRC - contas de resultado a compensar. Simplificadamente ela caía, ou aumentava, se a remuneração real fosse maior ou menor que a remuneração legal de 10 a 12%.
Se a empresa tivesse 11% e a remuneração legal para aquele ano fosse 10%, o 1% a mais viraria RGG após o modelo de equalização, ou seria deduzido do reajuste seguinte, ou um misto dos dois.
Se a remuneração real fosse 9% e a mínima legal de 10%, o 1% a menos viraria um crédito de CRC para a empresa, a ser compensado via uma tarifa maior, no ano seguinte.
Como era um período de inflação e controle de preços públicos, a remuneração real passou a ser menor que a legal para o grosso das empresas do setor.
Então o saldo de CRC em favor dessas empresas, começou a virar bola de neve, já que eles deixaram de ser compensados, via tarifa maior, no ciclo seguinte.
A situação culminou com a quebradeira do setor, após 6 meses de congelamento de preços entre 92 e 93, e veio a lei 8631, que embora não integralmente praticada na fórmula parámetrica permitiu:
a) viabilizar a zeragem da CRC,
b) reajuste de tarifa anual.
c) fim da equalização tarifária e por consequência do mecanismo de RGG,
d) fim da remuneração mínima legal, e portanto, fim também da CRC.
enviada por Luis Nassif
05/08/08 07:00
O homem que vendeu a Light
Coluna Econômica - 05/08/2008
Em 1978, foca (repórter novato) de economia, topei com a maior matéria da até então minha curta carreira de repórter: a compra da Light pelo governo Ernesto Geisel. Percebi alguns movimentos estranhos e, através de um advogado da CESP consegui saber o nome de um dos negociadores, Oscar Marcondes Pimentel, funcionário da CESP que foi para Brasília quando Shigeaki Ueki tornou-se Ministro das Minas e Energia.
Esta semana, Pimentel está lançando seu livro “Minhas Verdades – História Vivia do Setor Elétrico”.
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Já nos anos 60, muitas distribuidoras de energia estrangeiras tinham parado de investir. Foi o caso da Amforp, alvo de uma expropriação do governador Leonel Brizolla, no Rio Grande do Sul.
No final dos anos 60, percebendo o desinteresse das empresas pelo setor, o então Ministro da Fazenda Roberto Campos conduziu a compra da Amforp – pela qual se pagou o valor do patrimônio líquido.
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A Light era uma exceção. Tinha mantido os investimentos, mas à custa de endividamento. Seu lucro era inteiramente transferido para outros investimento da Brascan (sua controladora) no Brasil. Além disso, uma rígida legislação de remessa de lucros impedia que parte relevante desses lucros fossem transferidos para fora do país. E a empresa tinha ações na Bolsa de Nova York.
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No final do governo Geisel, a Light tinha batido no seu limite de endividamento e a Brascan estava louca para se desfazer dela. E os serviços foram se deteriorando.
Ou se comprava ou se desapropriava. Pareceres da Procuradoria do DNAE e da Eletrobrás julgaram impossível a desapropriação. Partiu-se, então, para a negociação. Tudo foi feito em absoluto sigilo. O único autorizado a negociar era Ueki.
De início, a pretensão da Brascan era vender a Light pelo patrimônio líquido contábil – de mais de US$ 1 bilhão. O que o DNAE fez foi revirar as contas da Light. A legislação tarifária brasileira definia uma remuneração de 12% sobre o capital investido. Constatou-se que a Light se valia de vários subterfúgios para aumentar artificialmente o capital. Corrigidas as espertezas, as tarifas caíram, espremendo mais a companhia.
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Em julho houve a primeira negociação formal. Ueki apresentou a proposta do governo: US$ 380 milhões. Foi hilária a reação do presidente da Light, Antonio Galotti: “Ministro, vou pedir para acender a luz porque está havendo uma s... aqui e só nós estamos levando”. Ueki foi seco: “É pegar ou largar”.
As negociações prosseguiram até o final do ano. Sabia-se que, se virasse o ano, a sucessão presidencial mataria qualquer oportunidade de venda. Nas negociações que se seguiram à primeira reunião, a Brascan tinha conseguido elevar a proposta para US$ 395 milhões. Percebendo sua pressa, os negociadores brasileiros reduziram novamente para US$ 380 milhões, pagos na Bolsa de Nova York
Só aí a Brascan entendeu a formação de preço pelo governo. Ueki havia pegado o valor das ações em Nova York (muito baixos pela dificuldade em receber dividendos) e, a partir deles, calculara o lance a ser dado.
O governo se apossou da Light em dezembro. No caixa, havia US$ 45 milhões de lucros retidos.
enviada por Luis Nassif
03/08/08 10:22
A busca do país policêntrico
Coluna Econômica - 03/08/2008
Na raiz da nova etapa do desenvolvimento brasileiro, há dois fenômenos interligados: o novo mercado de consumo (em cima da ampliação da classe C) e o desenvolvimento regional (especialmente no nordeste).
Das principais especialistas brasileiras em desenvolvimento regional, principal herdeira do pensamento de Celso Furtado, a economista Tânia Bacellar tem uma visão otimista do futuro.
A partir dos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), montou uma série de mapas.
No primeiro, Tânia pintou o percentual de pessoas com mais de 25 anos e menos de 4 anos de estudo. Há uma linha nítida separando os dois Brasis: o do nordeste, que começa acima de Belo Horizonte e pega praticamente todo o norte e nordeste; e o do sudeste, concentrando-se especialmente em São Paulo e nos estados do sul.
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O segundo dado é sobre o crescimento anual da renda per capita de 2001 a 2004, mostrando um crescimento bem mais acentuado nas classes de menor renda.
O terceiro dado é sobre o crescimento do consumo, mostrando amplo predomínio nos estados de renda mais baixa. Em 2006, as vendas do comércio varejista cresceram 6,16% no Brasil. Em onze unidades federativas o crescimento foi abaixo da média – entre eles Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 16, acima da média, com destaque para os três estados menores do norte (Roraima, Acre e Amapá) e, depois, Alagoas, Tocantins, Maranhão, Amazonas e praticamente todos os estados do nordeste.
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O passo seguinte foi dividir o Brasil entre regiões de baixa renda, estagnadas, dinâmicas e de alta renda. Aí o mapa se torna bastante interessante. Há muito mais manchas azuis (regiões dinâmicas) de Belo Horizonte para cima do que para baixo.
Para Tânia, há um conjunto de razões responsável pela criação de mercados dinâmicos e de erradicação da miséria. Relaciona a ampliação do Pronaf (Programa de Financiamento da Agricultura Familiar) e a interiorização das universidades e das escolas técnicas.
Ponto relevante, é a redescoberta da importância da diversidade regional, através dos governos estaduais, das diretorias regionais do Banco do Brasil, dos Planos Regionais da Caixa Econômica Federal, dos Arranjos Produtivos Locais do BNDES e do papel estratégico da Petrobrás.
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Finalmente, define os grandes desafios daqui para frente.
O primeiro é aprimorar as políticas bem sucedidas, como o Bolsa Família.
O segundo, melhorar o desempenho dos serviços de saúde preventiva e curativa.
O terceiro, é investir fortemente em melhoria da qualidade da educação em todos os níveis.
O quarto é trabalhar uma visão estratégica de longo prazo, para além do PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento). Essa visão, no plano regional, poderia ser investir em um país policêntrico, com vários centros de crescimento.
Segundo Tânia, para esse desenho existem onze macro-pólos consolidados, sete novos macro-pólos e 22 sub-pólos,
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Seus estudos merecem uma divulgação bem mais ampla. Não são meramente um desenho regional, mas um projeto de país.
Clique aqui para acessar o trabalho de Tânia