Luis Nassif foi introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003 e 2005, em eleição direta da categoria.
Algumas dúvidas iniciais sobre a nova política industrial, após uma leitura rápida da matéria do Estadão:
1. Segundo a matéria, a política reduzirá pela metade as contribuições previdenciárias patronais para o setor de software. Mas apenas para os funcionários envolvidos em exportação. Não sei como irão diferenciar. Tenho a impressão que esse pessoal nunca visitou uma empresa de software. Não existe essa diferenciação. Há pessoas alocadas diretamente em projetos de exportação, mas uma fábrica de softwares trabalha de forma integrada. Suponha que o projeto demande um desenvolvimento efetuado em outra área? Como será a apropriação dos custos? Se um funcionário é remanejado de uma área para outra, como ficará sua carteira de trabalho. É medida impossível de ser fiscalizada.
2. Nem se falou do ressarcimento ao INSS dessa redução da contribuição, sob a alegação de que, hoje em dia, as exportações do setor são pequenas. Ué, mas se a intenção da medida é transformar o Brasil em uma nova Índia, supõe-se uma explosão da mão-de-obra. Cada empregado que se enquadre aí, terá direito à aposentadoria integral, com a empresa bancando apenas metade da contribuição. É rombo na veia.
3. Confira que, com tudo isso, o setor terá um aumento de competitividade calculado em 10% - muito menos do que perdeu nesse período todo, com a violenta apreciação do real.
4. Não consigo entender porque o setor automobilístico - que está bombando - ganhou aumento de prazo para o pagamento do IPI. Vamos aguardar mais detalhes durante o dia para entender esse privilégio.
Esse Trivial vai para o novo cartão postal da cidade, o Viaduto Otávio Frias de Oliveira. Em parte pela memória afetiva que guardo do seu Frias. Mas muito pela beleza plástica da obra, que completa aquela que se tornou a mais bela paisagem paulistana: a Marginal do Pinheiros à noite.
Por Marcos Costa
Caro Nassif,
Considero esta pode uma tragédia urabnística. Fazer uma ponte estaiada, com os raios das curvas muito pequenos, como é o caso, aumenta os esforços de toda a estrutura. Esta a principal razão para o comentado fato desta ser a "única ponte estaiada curva do mundo". É a unica e provavelmente continuará sendo por muitos anos. A obra carece de prioridade. A cerca de 300 metros do local existem duas pontes ligando a Avenida Morumbi. Na última sexta-feira a cidade bateu nos 266Km de engarrafamento. Certamente os R$ 230 milhoes gastos deveriam ser direcionados para resolver outros problemas da cidade como o transporte público ou coleta e tratamento do esgoto. Por sinal esgoto que passa abaixo do "postal". Esta obra serve para que todos, em especial arquitetos, urbanistas e engenheiros reflitam sober qual deve ser a sua atua'c~ao diante dos problemas de nossa mal cuidada cidade.
Sempre foram curiosos os informes da diplomacia americana sobre os dirigentes brasileiros. São informes confidenciais onde, muitas vezes, há espaço para avaliações pessoais pouco formais.
Lembro-me pouco antes da posse de FHC, que fui convidado para um almoço com o embaixador americano recém nomeado. Era um sujeito proveniente do DEA (Drug Enforcement Administration o departamento de combate às drogas). A conversa foi curiosa porque ele não era nem um pouco sutil. Concordou com minha avaliação sobre a falta de vontade transformadora de FHC, mas com uma ênfase de quem acreditava que a imprensa brasileira, de forma generalizada, tem os mesmos compromissos com o “off” da imprensa americana.
Obviamente respeitei o “off”, mas ele podia ter criado um incidente diplomático grave, se a conversa tivesse sido com quem não respeitasse.
Digo isso a propósito do informe do consulado americano sobre a Ministra Dilma Rousseff. O furo foi da Zero Hora. Como não consegui descobrir o endereço original, recorro à citação feita no Blog do Josias. Clique aqui.
Aliás, não sei porque essa mania de tratar qualquer relatório como dossiê.
Gestora durona: “Rousseff entrou para o PT em 2001 e trabalhou no processo de transição de governo em 2002. Ela é uma gestora durona e exigente, que vai perseguir a qualificação da implementação de políticas administrativas. Ela está menos para o político de holofote, como [José] Dirceu, de ringue político, por ser mais focada em atacar a "burocracia".
Assaltos a banco e guerrilha: “Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, o Estado de Minas Gerais. Seu pai era um promotor búlgaro, que se naturalizou e tinha cidadania brasileira. Ela se tornou ativamente envolvida com a oposição ao regime da dtadura mlitar em 1967, aos 19 anos, enquanto cursava Economia em Minas Gerais. Entrou para vários grupos clandestinos, organizou três assaltos a banco e então foi co-fundadora do grupo de guerrilha chamado Vanguarda Revolucionária Armada de Palmares”;
Marido seqüestrador e eletrocoques: “Rousseff se separou do primeiro marido, Cláudio Linhares, que, em janeiro de 1970, seqüestrou um avião para Cuba e permaneceu lá. Naquele mesmo mês, ela foi capturada pelo Regime e aprisionada por três anos (o oficial se referiu a ela como Joana D'arc dos subversivos), incluindo 22 dias de brutal tortura de eletrochoque”;
Formação acadêmica e gostos pessoais: “Rousseff tem grau de mestre em Teoria Econômica pela Universidade de Campinas e um doutorado não concluído em Economia. Em 1992, ela participou como visitante de um programa internacional nos EUA. Ela está atualmente separada do seu segundo marido (que também era um militante da oposição). Ela tem uma filha, Paula, em Porto Alegre, onde ela passa os finais de semana. Ela gosta de cinema e música clássica. Recentemente ela perdeu peso, depois de, alega-se, adotar a dieta do presidente”;
Da desconfiança aos elogios: “Com seu background técnico e um estilo no-nonsense, Rousseff recebeu respeito relutante do setor da Energia. Enquanto as Cias. norte-americanas estavam inicialmente desconfiadas quando ela foi designada para o cargo de [ministra das Minas e] Energia, agora admitem que ela fez um trabalho competente. Em particular eles a saúdam por sua disposição em ouvir e responder posições e idéias, mesmo quando está inclinada a uma conclusão diferente. Ela tem a uma reputação de negociadora dura, ser persistente e de prestar muita atenção aos detalhes. Adjetivos usados aqui por aqueles que trabalham com ela incluem exigente e workaholic”;
Inapetência política: “Diferentemente de José Dirceu, Rousseff nunca foi eleita para cargo público e seus contatos com o Congresso são limitados, o que sugere que a coordenação política da administração será tarefa de outros. A imprensa diz que Lula espera que ela produza um "choque de gestão" na administração, a qual, por causa da ineficiência administrativa, entraves burocráticos e, mais recentemente, pelos muitos escândalos de corrupção, encontra-se estagnada.
Ainda está em fase beta, e também não sei dizer se é o reforço de memória que coloquei no meu MacBook: mas a nova versão do Firefox é a jato. O único problema é que os add-ons ainda não foram adaptados a ela.
Por Rogerio Acquadro
Nassif,
Sobre a incompatibilidade entre os addons, escrevi um pequeno artigo para o Dicas-l na semana passada. O site Dicas-l é mantido pelo Rubens Queiroz, do Centro de Computação (CCUEC) da Unicamp. Clique aqui.
Em geral fico com um pé atrás com campanhas de mídia, mesmo contra personagens controversos como Paulinho da Força Sindical. Não há o contraditório, os argumentos da defesa são sempre apresentados como “o outro lado”, sem receber a ênfase necessária.
Mas um fato é inequívoco: a maneira como as centrais foram cooptadas pelos dois últimos governos, com as verbas do FAT. Distribuíam-se verbas polpudas para cursos profissionalizantes, para entidades sem nenhuma familiaridade com a educação. O Executivo jamais avaliou resultados, trabalho que passou a ser executado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
O resultado está nessa matéria de Rubens Valente na “Folha” de hoje (clique aqui).
minha mãe morreu no dia primeiro de maio de 2005 Não doeu mais para os filhos porque ela já estava doente, na cama. Isto para uma mulher que trabalhou e agiu a vida toda, não era vida.
Entretanto, se começo esta homenagem às mães do blog falando em morte, trata-se de demonstrar admiração pelas mulhere de fibra, que passam pelo mundo e deixam atrás de si um rastro de coragem, abertura, espirito de luta.
Nestas articulações entre a vida e a morte, aprendemos a lançar nossos dados, fazer nossas escolhas, correr nossos riscos. A esta luz somos dados pelas mães. Comemoro o dia de amnhã com vocês, feliz como se com ela fosse.
Por Marise
Lu
Teu poema me fez lembrar de minha querida mãe. Faz dois anos que ela partiu e deixou um vazio que não pode ser ocupado .
Nós faziamos aniversário no mesmo dia, e para mim hoje é um dia lindo, pois tenho o carinho dos meus filhos e netos. Mas também vem a tristeza de não poder abraça-la no seu aniversário e no dia das mães.
Ontem a meia-noite esperei pelo seu telefonema de felicidades, que sempre vinha. Nós brigavamos para ver quem ligava primeiro para ser a primeira a desejar a felicidade da outra.
Esperei...esperei.. enão veio. Mas sei que onde ela estiver, estará comemorando comigo este dia. Um abraço, mãe querida e muitas felicidades, neste dia em que farias 97 anos.
Quando nos encontrarmos novamente, daremos todos os beijos e abraços atrasados.
Pensando no bebê encontrado pela esposa do Romanelli
Matriuschkas ------------------------------------------------------------------------------ Quando eu era criança, eu tinha fascinação (ainda hoje tenho) por aquelas bonecas russas multicoloridas, pintadas à mão, com bochechas cor-de-rosa e bocas em formato de coração. Quando abertas como caixas, mais bonecas apareciam, até descobrir a menor delas, minúscula, que não podia ser aberta e precisava ser cuidada para não se perder.
Eu era aquela boneca menor que havia saído de minha mãe, que havia saído de minha avó, que havia saído de minha bisavó... Estas bonecas chamam-se em russo "Matriuschkas”. São elas mães. Eu ficava como qualquer criança, imaginando quantos filhos eu poderia ter um dia. Ser mãe...
É certamente o momento mais mágico na vida de uma mulher, quando esta, após jamais ter temido ver seu ventre se arredondar, versa uma lágrima de pura emoção com o primeiro choro do pequeno ser, ainda há pouco unido a ela pelo cordão umbilical.
Quando meu primeiro filho nasceu, eu jamais havia segurado um bebê em meu colo. Entretanto, movida por um imenso sentimento, tudo flui. Já estava ele a se alimentar em seus primeiros instantes de vida. A se alimentar... de amor... Sim, pois eu não creio no instinto maternal. Acredito no amor maternal.
Mãe é aquela que ama o pequeno ser chegado à luz, e dia após dia, o alimenta contra seu coração.
Alimentar um filho ultrapassa um simples amamentar. É prover com amor, a cada dia que passa, ensinando a existência das ferramentas do bem-aventurado. Há mulheres que dão à luz e que, entretanto, jamais serão mães.
Outras que se tornam mães na adoção, sem jamais terem sentido biologicamente a transformação provocada pela maternidade. Quando os pequenos pulmões de meus três filhos se encheram de ar ao nascer, eu senti a lágrima de emoção rolar nas minhas bochechas que, naquele instante, deviam ser cor-de-rosa, como as bochechas das “matriuschkas”. Ali, nascia num passe de magia, num instante divino e eterno, a maravilhosa responsabilidade de amar para sempre, até o fim da vida, se fim há, pois eu já não era mais a menor das bonecas russas.
Ser mãe é isto, descobrir ser capaz de morrer para salvar o pequeno ser sem jamais querer morrer para eternamente e ternamente acalentar. Definitivamente, não há instinto maternal, há amor maternal e isto precisa ser entendido para que todos os filhos, enfim, tenham mães.
Por Romanelli
Por aqui as reflexões não param: o que foi...? o que vai ser da mãe e da menina ...?
Situações que parecem que a vida nos coloca como que pra nos lembrarmos de nossos falhas, pecados e limitações do cotidiano, do dia-a-dia
Vivemos fabricando constantes "não pode"; NÃO PODE transar ! NÃO PODE engravidar ! NÃO PODE abortar ! NÃO PODE ser mãe solteira ! NÃO PODE sem poder !
Pensamos como foi, e como deve estar a cabeça da "mãe que foi sem nunca ter sido sequer por um dia". Mãe que antes, possivelmente, tão cheia de medos e cobranças e hoje, talvez, carregada de fantasmas e cicatrizes pro resto de seus dias
Situações paradoxais: Como pode um unico ato carregar tamanha "coragem" dentro de um cenário de tamanha "covardia" ?
Enigmas da vida...
Apesar de um aparente ato de desapego, creio que quem o praticou, além do desespero, sabia o que fazia
Escolheu a casa e o portão aonde deixar a pequena e sua caixa de papelão
Sabia que lá morava uma pessoa que pensava e falava que se ocorresse um dia, adotava ...mistérios da vida
Apesar do ato desesperado, de alguém com certeza desamparado, sufocado por muitos "NÃO PODE", vejo mais que um ato de rebeldia, acho que quem o praticou, chegou a pensar um dia em possibilitar melhores dias. Não deixou, nem mesmo dependendo da caridade, de ter uma preocupação digna do ato da maternidade
A ela, e a todas que um dia o destino transformou em aflitas, "ocultas e desconhecidas" gostaria também de desejar um FELIZ DIA.
Na sexta à noite assisti o Jornal Nacional. Em geral, não assisto por problemas de horário. Limito-me a consultar pela web as matérias mais interessantes apenas.
Assisti na sexta e no sábado. Na sexta, um requentado nauseabundo do caso Isabella, com direito a atualizações do dia e ao uso repetitivo e incorreto da palavra madrasta. No sábado, um requentado do caso das contas do Palácio, longuíssimo e repetido.
Aí entra uma reportagem sobre o dia das mães, simples, com mães adotivas e seus filhos, filhos adotados com filhos biológicos, todos filhos, todos irmãos. E mostra a senhora que adotou 60 crianças, inclusive um rapagão negro, que tinha chegado dez anos antes, e que acabara de se formar em economia e informática.
A reportagem entrevistou o filho biológico que explicou, bem humorado, que, quando queria colo, às vezes tinha que aguardar o segundo turno.
Vendo aquela poesia discreta derramando-se pelas telas, noto o bem que faz para a televisão esse tipo de jornalismo, lírico, simples, direto, contando histórias do dia a dia sem catarse, sem a maquiagem pesada com que recobrem fatos escandalosos.
Habemus jornalismo e jornalistas! Ainda que trabalhando em espaços cada vez mais restritos.
Lamento não ter anotado o nome do repórter e do editor.
Como trivial de fim de semana gostaria de sugerir esses três vídeos gravados no Auditório do Ibirapuera, na semana passada. Trata-se do show Minas Contemporânea, que reuniu durante três dias em São Paulo os "novos mineiros" Kristoff Silva, Elisa Paraíso e Érika Machado (e mais convidados). São três expoentes da música das montanhas em suas mais variadas vertentes. Uma pista do que nós andamos fazendo, fungindo da sombra que nos caracterizou apenas como herdeiros do Clube da Esquina.
A palestra do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, no Congresso da ABRAJI (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) foi relevante em dois pontos (clique aqui):
1. Ao afirmar que não é vergonha nenhuma para o país a absolvição dos supostos (e muito prováveis) assassinos da da missionária Dorothy Stang. Pela relevante razão de que haverá outras instâncias analisando a questão. Nos EUA, quantas decisões absurdas de tribunais sulistas – no tempo bravo dos ataques racistas – não foram, depois, corrigidos pela justiça federal? Essa matéria foi dada pelo "Estadão".
2. A crítica às autoridades policiais e do Ministério Público no caso Isabella, o apego aos holofotes, a disseminação de informações desencontradas, o argumento do “clamor das ruas” para justificar a prisão preventiva. Essa matéria foi dada pela "Folha", mas agora o site está fora do ar.
Só para esclarecer uma discussão sobre os fundos soberanos. Os críticos sustentam que ele será bancado com recursos fiscais – logo, significaria um custo imenso para o país.
Meia verdade é igual a uma mentira.
Devido à política monetária monetária do Banco Central, criou-se uma apreciação cambial perigosa. Para contê-la, o BC é obrigado a constituir reservas cambiais, a adquirir dólares com um custo fiscal expressivo. Numa ponta, paga mais de 12% pelos títulos públicos emitidos para adquirir os dólares; na outra, remunera esses dólares por volta de 3% ao ano. A diferença é custo fiscal.
Esse custo já existe independentemente do fundo soberano. Existe pela necessidade de se constituir reservas cambiais para conter a valorização do real.
A criação do fundo soberano apenas alteraria a destinação dos recursos. Em vez dos dólares das reservas serem aplicados em títulos públicos americanos, seriam aplicados em empresas – desde que dentro de uma visão estratégica de país. Em vez de financiar o Tesouro americano, se financiaria a expansão das empresas brasileiras no exterior.
O custo fiscal seria o mesmo, ou até menor, já que se poderia cobrar dos financiamentos mais do que o rendimento dos títulos do Tesouro americano.
Uma boa discussão é sobre o papel dos Tribunais de Contas no país (clique aqui). Não se discute a importância de sistemas de avaliação e fiscalização, mas o método. Ainda hoje, os Tribunais dão mais atenção a procedimentos burocráticos do que a resultados finais. Fazem a chamada “conferência de carimbo”.
Anos atrás conheci uma rapaziada do TCU (Tribunal de Contas da União) empenhada em analisar resultados finais de programas, população atendida, critérios. Enveredaram até pelos indicadores de desempenho e pelo cumprimento do estabelecido nos contratos de concessão.
É por aí.
Mas, no geral, a preocupação continua sendo meramente formal. Em uma palestra no TC de Santa Catarina, tempos atrás, me contaram uma história surreal. Uma diretora de escola recebeu determinada verba para construir um muro. Trabalhou tão bem os recursos que, além do muro, construiu uma quadra de esportes para os alunos. Deu inquérito.
Além disso, com a multiplicação de ONGs e OSCIPS não se estabeleceram novas formas de controle sobre um universo amplo de utilização de dinheiro público. Hoje em dia, com a informatização, o registro eletrônico de despesas, os TCs deveriam abrir uma ampla discussão para focar em resultados.
Nos últimos tempos de Luiz Carlos Bresser Pereira no Ministério da Administração, havia planos de se criar uma espécie de contabilidade por departamento. Nela, se definiria a missão e os recursos alocados. A partir daí, poderia haver uma análise mais efetiva da eficácia dos recursos alocados.
Em “O Caso de Veja”, o capítulo sobre o suposto financiamento das FARCs à campanha do PT em 2002, um clássico do jornalismo interpretativo. E a receita de jornalismo dada pelo diretor Eurípedes Alcântara: o estilo "escrever pensando".
Estive ausente por uns dias e a coisa ferveu, hein? Fico triste quando vejo que muitos comentaristas exageram no tom, durante a discussão. A despeito da polêmica dos temas, das paixões humanas, penso que somos todos civilizados e capazes de controlar nossos instintos.
Longe de querer ditar regras sobre como escrever comentários, gostaria que considerassem apenas uma orientação: respeito ao outro. "Só" isso: respeito.
Para refletir
Particularmente, não gosto da palavra "tolerância", pois ela pressupõe superioridade em um dos "lados". Vejam o que diz o Houaiss:
substantivo feminino 1 ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência 2 qualidade ou condição de tolerante 3 tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às nossas
Por outro lado, vejam o que diz o mesmo dicionário para o termo "respeito":
substantivo masculino 1 ato ou efeito de respeitar(-se) 2 sentimento que leva alguém a tratar outrem ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência (...) 7 estima ou consideração que se demonstra por alguém ou algo
A humanidade nos irmana. Quando foi que perdemos o sentimento de fraternidade para com o próximo? Quando foi que cor de pele, credo, convicção, ideologia, orientação sexual - quando foi que o acessório fez se deformar o essencial? Por que é tão difícil praticar o respeito?
A todos, bom Trivial e bom final de semana.
Obs: Estou ceifando comentários que não se encaixam na orientação do "respeito ao outro"
Como fotografo amador e mesmo tendo ganho alguns prêmios e exposto algumas vezes, no dia que “descobri” o Rarindra Prakarsa eu que já sabia que tinha muito a aprender, tive a certeza de que não sabia era nada. As fotos do Rarindra, são simplesmente lindas. Sua técnica no uso da luz natural para criar suas obras de arte é fantástica. Quando me embrenho pelo cerrado ou matas ciliares, me vem a mente ele e o Araquém Alcântara, pra mim, um ícone da fotografia brasileira. Se alguém quiser me dar a honra de uma visita é só clicar aqui.
Por Eduardo Fahl
Bom, já que não sou poeta, e sim fotógrafo, permitam-me indicar meu site. Espero que gostem. mas aceito todas as críticas do mundo. Anotem aí: clique aqui
Por Paulo Fessel
Dá até vergonha de falar depois de ver o nível das fotos daqui, mas eu também sou fotógrafo amador. Infelizmente não tem sobrado tempo para registrar viagens, lugares e natureza (meus temas prediletos), e assim o que tenho feito é tirar fotos de meu filho.
Ainda assim, tem umas imagens das quais - modéstia às favas - me orgulho muito... Confiram em clique aqui
o jornalista e radialista Artur da Távola morreu hoje à tarde. Ele era diretor da rádio Roquete Pinto FM, grande incentivador da cultura, conduzia vários programas educativos sobre música brasileira e música clássica. Considero um trabalho único, que fazia com dedicação admirável e amor pela cultura brasileira. Aos domingos tinha excelente programa sobre Bossa Nova. Escreveu textos belíssimos, como o de ontem-"Papo Dispersivo sobre a Paixão" (enviarei em duas partes) , publicado no blog dele . Merece ser homenageado.
PAPO DISPERSIVO SOBRE A PAIXÃOARTUR DA TÁVOLA -8.5.2008
PARTE I
As pessoas amam bem mais a expectativa do amor possível, que o amor propriamente dito. Daí a intensidade dos impulsos bloqueados, os que estão impedidos de expansão e movimento na direção do objeto amado.
Os "grandes amores" da literatura são grandes, não por serem amores, mas por serem impossíveis.
Já os grandes amores da vida real só quem sente é que sabe. A impossibilidade de dimensionar um impulso afetivo carrega de energia a fantasia. E esta se encarrega de dar dimensão ao que o exercício da relação, talvez, tirasse.
Na paixão impossível só estão as projeções do que idealizamos, pretendemos ou não conseguimos viver em nosso cotidiano. Daí ser fácil entender sua força, sua obsessiva presença na cabeça dos enamorados.
É por isso, aliás, que só é musa quem é inatingível.
Case-se com a sua musa e acordará com uma jararaca...
Por Henrique Marques Porto
Conheci Paulo Alberto no final dos anos 70, na redação de O Globo. Culto, sensível, fala mansa, amante da boa palavra e da boa conversa, que o levava às vezes a mergulhos tão profundos que obrigava o interlocutor a redobrar a atenção para não perder o fio da malha delicada que ele tecia adornando a prosa com adjetivação perfeita e riqueza de imagens. Ás vezes enamorava-se pela própria fala e era curioso vê-lo.
Nossos temas mais frequentes eram a música e a política. Paulo Alberto conhecia muito sobre música. Bem mais do que limitado tempo dos seus programas no rádio e na televisão puderam revelar. Apreciava particularmente os românticos –Beethoven, Brahms, Schubert, Schuman.
Como todo homem sensível tinha opiniôes apaixonadas em política, que a brandura do trato e o discurso elegante não deixavam transparecer. Mas o ambiente que ele encontrou ao recuperar os direitos políticos cassados pela ditadura no golpe de 1964 (era deputado federal pelo PTB do Rio) estava distante de suas melhores expectativas. Era um estranho num mundo onde predominavam as traições e a falta de ética, além das palavras más e das idéias tortas.
Nos piores momentos da vida política e partidária deve ter se refugiado na música. E com certeza estava ouvindo música hoje de tarde quando partiu –talvez esse mesmo “Requiem Alemão” de Brahms com a bela e transparente “Canção do Destino” que ouço agora em sua memória.
“Porque música é vida interior. E quem ouve música jamais padecerá de solidão.”
Por caocaca
Há algumas semanas atrás, no seu programa "Quem tem medo da música clássica?", na TV Senado, ele estava com uma aparência que denunciava que algo não estava bem, mais magro e com voz mais rouca. Ao final do programa, ele terminou com seu memorável bordão: "Música é vida interior e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão", mas aí ele acrescentou: "mesmo quando se está triste". Percebi logo que seus dias estavam acabando, pensei em escrever um e-mail para o programa para lhe dar um justo agradecimento pelos belíssimos programas que ele nos proporcionou, mas a vida corrida foi deixando isso para depois. Não tenho palavras para expressar perda tão significativa. Assistia seu programa sempre que podia, muitas vezes mais de uma vez no mesmo fim de semana. Sempre considerei seu programa como o melhor da tv brasileira.
Por Rod
Em homenagem a Artur da Távola, a inigualável Kathleen Battle com Karajan no "Ihr habt nun Traurigkeit" do Réquiem Alemão de Brahms. Clique aqui.
(...) A abertura dessa estrada é um dos episódios mais abafados, infames e sinistros da história das Forças Armadas brasileiras no período do regime militar. Encobertos pelo AI-5, os militares brasileiros cometeram um dos maiores genocídios da história mundial, muito pior que o dos armênios pelos turcos ou dos judeus pelos nazistas.
Em 1968, quando começou a revolta dos waimiris-atroaris contra a abertura da BR-174, sua população era estimada em mais de 6.000 pessoas; em 1974, quando as forças armadas terminaram sua campanha de extermínio, eles eram menos de 500. Dessa guerra restaram, pelo lado dos waimiris-atroaris as lendas dos grandes chefes guerreiros Maiká, Maroaga e Comprido (nomes dados pelos brancos, na verdade seus nomes seriam, muito provavelmente, Sapata e Depini) todos mortos pelo exército.
O episódio mais infame dessa guerra, documentada por entrevistas gravadas pelo padre Silvano Sabatini com índios wai-wai, waimiris-atroaris e sertanistas e relatadas no livro “Massacre” (Edições Loyola, 1998) foi o bombardeio pela Força Aérea Brasileira de uma maloca em que os waimiris-atroaris realizavam uma festa ritual.
Nas lembranças na história dos waimiris-atroaris o crime é definido como “maxki” (feitiço). O feitiço que caiu do céu era, na verdade, bombas químicas despejadas pela FAB sobre um povo indefeso.
As terras dos Os abrigam entre outras riquezas a província mineral de Pitinga, uma das mais ricas do mundo e a maior jazida de cassiterita do planeta.
Em 1981, estive em Roraima fazendo uma edição especial sobre as novas fronteiras agrícolas para a IstoÉ. Os principais inimigos dos “arrozeiros”, na época chamados simplesmente de “gaúchos”, e que estavam chegando a Roraima levados pelo governador Ottomar de Souza Pinto, naquele tempo não eram os índios, mas as manadas de cavalos selvagens que invadiam as plantações de arroz para pastar. O Hélio Campos Mello, com quem dividi a matéria, fotografou os únicos exemplares de cavalos selvagens do Brasil, mas eles não existem mais. Foram dizimados a tiro ou veneno pelos “gaúchos”.
Os “gaúchos” não eram chamados de “arrozeiros” porque plantavam, na verdade, brachiaria. Como o Banco do Brasil não financiava pastagens, a brachiaria era plantada consorciada com arroz. No primeiro ano, a produção de arroz explodia, enquanto a brachiaria começava a deitar raízes. No segundo, a produção se reduzia à metade ou menos, para praticamente desaparecer no terceiro, quando a pastagem tomava conta das terras. Aí os “gaúchos” reportavam a quebra da safra para negociar as dívidas com o Banco do Brasil. Quem quiser confirmar essa história, basta consultar os arquivos dos financiamentos do Banco do Brasil em Roraima na época.
Mais de 25 anos depois, parece que as coisas não mudaram muito por lá.
Deixe-me explicar a lógica que me leva a acreditar em armação, no caso do suposto “dossiê”. Sei que, hoje em dia, é trabalho quase impossível tentar conduzir uma discussão pelos caminhos da lógica, mas vamos lá.
A lógica pressupõe uma certa hierarquia de argumentos, a identificação dos aspectos mais relevantes para se entender uma situação, a análise da consistência das evidências. No vale-tudo atual, para embolar a discussão basta priorizar temas secundários ou avançar em suposições sobre intenções de pessoas, sem a preocupação de se basear em evidências. Vira sessão espírita.
Mesmo assim, vamos tentar, desdobrando o assunto por etapas, separando informações objetivas de hipóteses. E, no caso das hipóteses, submetê-las às evidências apresentadas até agora.
Há uma informação objetiva, duas hipóteses em jogo.
A informação: dados sobre gastos de governo anteriores estavam sendo organizados na Casa Civil.
Hipótese 1: A intenção, segundo a Casa Civil, seria se preparar para futuros pedidos da CPI dos Cartões. Teria havido vazamento dos dados para a oposição, dando margem à exploração política. É possível. Por aí, não se pode falar em dossiê.
Hipótese 2. A oposição sustenta que os dados foram organizados para pressionar os senadores da oposição a desistirem da CPI dos Cartões. É possível também. E aí se caracterizaria o dossiê.
As evidências: O que desempata o jogo é a prova do pudim, a busca de evidências. O que se tem:
1. Não apareceu até agora (se aparecer, muda a história, mas não apareceu) nenhum parlamentar que tenha informado ter sido pressionado pelo governo a desistir da CPI do Cartão Corporativo com base no tal dossiê. Se existir, que apareça.
2. O único senador que tomou contato com o tal dossiê – pelo que se sabe até agora – foi Álvaro Dias. E os dados vieram através da iniciativa de um funcionário da Casa Civil que tinha relações pessoais com seu assessor.
Qualquer análise séria tem que se basear nesses dados, até que surjam outros dados ou evidências que permitam outras hipóteses.
Com base nessas evidências, são duas as novas hipóteses a serem investigadas:
1. O funcionário estava a serviço do José Dirceu para queimar a Dilma.
2. O funcionário estava a serviço da oposição para queimar a Dilma.
Em qualquer das hipóteses, só existe uma certeza: o Senador Álvaro Dias atuou como cúmplice. Junto com ele, as publicações que endossaram a tese do “dossiê” sem dispor de nenhuma – repito: nenhuma! – evidência que pudesse corroborar sua tese (de que o "dossiê" era arma de chantagem contra a CPI). E não se preocupando em identificar a "fonte" do senador.
Sabendo-se que José Dirceu é alvo preferencial da “Veja”, indaga-se:
• por que a revista, tendo acesso ao Álvaro Dias, podendo checar as suas fontes, não explorou antes a possibilidade Dirceu?
• porque Álvaro Dias daria entrevistas defendendo o funcionário da Casa Civil, se ele estivesse a mando de Dirceu?
• porque FHC daria entrevistas tratando essa busca do autor do vazamento como “factóide” se pudesse, através dele, chegar a um dos lideres do PT?
Vamos aguardar a divulgação dos dados finais sobre a política industrial (clique aqui para ler a cobertura do Estadão).
Algumas constatações prévias:
1. A tal política industrial não compensa a apreciação cambial. O câmbio interfere em todos os preços da economia. Afeta empresas grandes e pequenas. No quadro atual, praticamente todos os setores estão (ou serão em breve) afetados pela competição com produtos chineses, devido à violenta apreciação do real. Políticas industriais, quase sempre, beneficiam setores de grandes e médias empresas.
2. O PAC avançou em várias medidas (que estavam pendentes) de desoneração de investimentos. Não há muito mais a se pensar. O estoque passa pela depreciação acelerada (poder abater do Imposto de Renda de forma mais rápida que o habitual), e isenção de alguns tributos.
3. Não dá para falar em perdas tributárias com as medidas. Nessa conta, em geral calcula-se quanto as empresas deixariam de pagar com os impostos perdoados, mas não se contabilizam os ganhos com outros tributos, ou outros setores, com o crescimento maior decorrente da desoneração.
4. Há tempos existem duas linhas de pensamento em relação a políticas de competitividade (termo mais adequado que política industrial). Aquela que advoga que as medidas devem ter caráter horizontal (beneficiando o ambiente econômico como um todo). E os defensores do velho modelo, de políticas com benefícios setoriais. O segundo modelo é politicamente atraente para o governo – não necessariamente para o pais.
5. É importante a desoneração da folha salarial do setor de informática. É medida de competitividade. Mas não se pode jogar mais uma vez a conta nas costas do INSS. Deveria haver algum mecanismo que direcionasse obrigatoriamente os demais tributos pagos pelo setor para fechar a conta aberta no INSS com a desoneração da folha.
Matéria do “Financial Times”, republicada pela "Folha", informando sobre as intenções da China de adquirir terras no Brasil (clique aqui).
Nesse processo de globalização, com o Brasil caminhando para ser a maior potencia agropecuária do mundo, está na hora de avançar firme nessa questão de limitação de venda de terras a estrangeiros.
Trata-se de questão estratégica essencial.
Por Andre Araujo
Lembremos que das 500 maiores empresas chinesas, 400 são estatais e a economia é comandada pelo Estado, o modelo capitalista existe em um espaço ferreamente controlado pelo Governo. Uma das fragilidades da China e sua incapacidade de operar no exterior. O modelo chinês de produção só funciona dentro da China, é intransplantavel porque depende da cultura chinesa de relações humanas no trabalho. As tentativas chinesas de penetrar na Africa tem sido mal sucedidas porque mesmo em paises primitivos do continente a atitude chinesa é intleravel, abusiva, autoritaria e desagradavel. A ultima coisa que um Pais pode querer é ser invadida por empresas chinesas, valha-nos Deus. Mas dada a anomia, falta de rumos, falta de moldura organizada, falta de noção de País de grande parte de nossos politicos, , tudo é possivel, não faltarão vendedores de terras ou de qualquer coisa para qualquer estrangeiro que aparece com uma mala de dinheiro.
Em quase todos os paises importantes do mundo é dificil a estrangeiros comprarem grandes extensões de terras, há uma rejeição natural, exceto em dois paises, Brasil e Argentina, onde grandes extensões de terras ao sul foram vendidas a estrtangeiros (Soros, Benetton). Lá como cá não há resistência a esse tipo de invasão, são paises sem projeto e sem rumo.
Todavia, não creio que exista esse projeto chinês, eles não precisam plantar soja para compra-la., se esse for o objetivo.
Em 68 os jovens saíram para as ruas, deixaram de ser submissos e respeitar cegamente à ordem disciplinar dos mais velhos, assumiram um discurso próprio, fizeram uma revolução de costumes, misturaram rock com pop, sexo, drogas, liberdade, Jesus, paz e culturas alternativas. Foram os anos de grandes musicais da Broadway, de Jesus Cristo Superstar, Hair da Era de Aquarius, da pílula anitconcepcional e do LSD, de Woodstock e do psicodelismo. Tudo foi reinventado, e o sistema mobilizou todas as suas forças para tentar incorporar todas essas mudanças, e oferecer "réplicas comportadas".
Essa luta ideológica pode ser estudada a partir da obra de Wilhelm Reich. É uma das batalhas ideológicas mais fascinantes da humanidade, esta da revolução sexual, o controle pelo desejo e a manipulação do desejo e das paixòes, a energia vital de toda a sociedade. Reich expõe o início dessa ação neutralizadora da força revolucionária (cultural) dos costumes.
Hoje dá pena dos jovens, pois todas as alternativas estão mapeadas e "ocupadas" pelo sistema estabelecido, pelos "velhos" (nós). Ao mesmo tempo, este é o desafio deles. Para onde vão? Para a marcha contra a maconha? Para a fila do motel? Para as baladas? Não que essas coisas estejam certas ou erradas, mas o caso é se brotam do vulcão da juventude. Marcha da maconha? Depende da compreensão, pode abrir uma discussão e nela vêm as alternativas.
Uma nova irreverência, mas também consciência, um novo mundo, é o que estamos pedindo à nossa juventude.
Ontem, FHC veio com a história de que o “dossiê” sobre seus gastos era factóide. Por que isso, se permitiu que essa bobagem alimentasse a imprensa durante semanas e semanas da mais pura catarse, com ameaças de CPI, uma orquestração infernal da mídia, um patrulhamento virulento em cima de quem apontava para a armação?
Porque justo ontem? Ontem poderia ser um dia qualquer, não fosse o fato de que foi na véspera da divulgação da informação de que os dados saíram de um funcionário da Casa Civil direto para um assessor do senador Álvaro Dias. E, segundo a matéria do Jornal Nacional, há dois dias ele, JN, havia recebido a informação.
Não foi chantagem, foi armação.
FHC sabia disso, mas só se preocupou em minimizar o episódio quando percebeu que a armação estava sendo desmascarada.
Na qualidade de publicação que recebeu a “denúncia” das mãos do senador Álvaro Dias, Veja sabia disso desde o começo e sonegou a informação sobre a origem do documento. Não era o caso de entregar a fonte. Mas, fosse um veículo com um mínimo de preocupação com a honestidade jornalística, informaria que um senador da oposição recebeu o arquivo com o material. A partir daí ficaria claro o propósito da divulgação do material. Chantagem consiste em ameaçar divulgar um arquivo e segurar ou inventar informações. Se o arquivo foi entregue a um senador da oposição, a intenção não podia ser chantagear, mas queimar a Ministra Dilma Rousseff.
Era uma denúncia com a marca da falta de credibilidade da "Veja". Acabou renascendo das cinzas com a decisão da "Folha" de, mais uma vez, ir a reboque da revista.
Faça-se um apanhado das declarações definitivas, das afirmações sobre o futuro político da Dilma, as indignações ensaiadas, a dramatização do evento, tudo em cima de uma armação. E confira-se a repercussão amanhã.
Após as investigações fica claro uma operação com o claro intuito de queimar uma eventual candidatura à presidência da República. Qual a dose de indignação que será utilizada para definir essa armação?
Por Márcio
Senhores, antes que o site do PSDB remova esta pagina ( clique aqui ) leiam o ultimo paragrafo que contem a fala do Senador Alvaro Dias e comparem com sua entrevista ao JN. Por fim, o senador Alvaro Dias (PR) condenou as tentativas do Planalto e de aliados de livrar a ministra de culpa em relação ao episódio.
"Aquela peça não é outra coisa senão um dossiê. E mesmo que tivesse outro nome, a responsabilidade é de quem comanda o setor. Não há como eximir a ministra", destacou. "A ministra sabe quem fez o dossiê, e", complementou.
Os dois comentários abaixo foram em cima do mesmíssimo post: “O loteamento do futuro”
Por Alexandre Porto
Nassif,
ministro é cargo político e não técnico. (...) Temos muitos exemplos de técnicos que foram ministros pífios. Não generalize. Governos precisam de maioria.
Seu querido amigo Serra nunca foi médico.
Já Bresser Pereira era economista;
Do Tiago/Campinas
Olá Nassif!
Ontem no post “É o Agripino“ você propôs que dois partidos oposicionistas substituíssem seus respectivos líderes no Senado Federal.
Na sua opinião a escolha desta dupla pelos partidos representaria um “tiro no pé”. (...)
É interessante analisar que em sua opinião PSDB e DEM “dão tiro no pé”, ou seja, deliberada e conscientemente “escolhem mal”.
Mas na análise do outro lado do balcão, o da situação, Lula acaba sendo apenas “permissivo”. Existe um uso desproporcional dos adjetivos da sua parte.