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    <title>Luis Nassif - Jornalismo</title>
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    <pubDate>Sat, 03 Jan 2009 09:57:48 GMT-03:00</pubDate>
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      <title>A íntegra da sessão do STF</title>
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      <description>&lt;p&gt;&lt;object width="290" height="24" id="audioplayer1" data="http://ruadajudiaria.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;param value="http://ruadajudiaria.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf" name="movie" /&gt;&lt;param value="playerID=1&amp;amp;bg=0xf8f8f8&amp;amp;leftbg=0xeeeeee&amp;amp;lefticon=0x666666&amp;amp;rightbg=0xcccccc&amp;amp;rightbghover=0x999999&amp;amp;righticon=0x666666&amp;amp;righticonhover=0xffffff&amp;amp;text=0x666666&amp;amp;slider=0x3366cc&amp;amp;track=0xFFFFFF&amp;amp;border=0x666666&amp;amp;loader=0x6699ff&amp;amp;soundFile=http://www.radiojustica.jus.br/programa/verPrograma.php?seq_programa_radio=53" name="FlashVars" /&gt;&lt;param value="high" name="quality" /&gt;&lt;param value="false" name="menu" /&gt;&lt;param value="#FFFFFF" name="bgcolor" /&gt;&lt;param value="never" name="allowscriptaccess" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Fri, 07 Nov 2008 09:00:00 GMT-03:00</pubDate>
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      <title>Uma operação para livrar Dantas</title>
      <link>http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=8864</link>
      <description>&lt;p class="titulo"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Uma operação para livrar Daniel Dantas do inquérito e do processo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="linhafina"&gt;Para o jornalista, a revista Veja perdeu todos os limites ao publicar uma matéria em que não pode provar nada do que denuncia. Para ele, trata-se de uma operação para livrar Daniel Dantas da ação movida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. &amp;quot;É um momento triste na história da República: ele mostra que Dantas conseguiu uma ampla influência no Judiciário, em três partidos políticos e em grande parte da mídia&amp;quot;, diz Nassif.&lt;/p&gt; &lt;p class="headline-link"&gt;&lt;strong&gt;IHU - Instituto Humanitas Unisinos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A revista &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; da semana passada denunciou um esquema de grampos que vigiariam o Supremo Tribunal Federal e integrantes do governo federal. O que levou, no dia seguinte, o presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes a reunirem-se e, finalmente, à suspensão da direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na terça-feira da semana passada, em entrevista à imprensa, Lula declarou:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;em&gt;&amp;ldquo;Se algum de vocês (referindo-se aos jornalistas presentes) souber algo &amp;ndash; porque a fonte conversou com os jornalistas e não comigo &amp;ndash;, e quiserem facilitar a investigação, podemos resolver logo o problema. Do contrário, vamos ter de investigar com muita profundidade&amp;rdquo;. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Isso porque a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; declarou que as gravações não existem mais e utiliza a lei para não revelar o nome da fonte da reportagem. A &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_entrevistas&amp;amp;Itemid=29&amp;amp;task=entrevista&amp;amp;id=16451" target="_blank"&gt;IHU On-Line&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; conversou por telefone com Luis Nassif sobre essa crise gerada por um veículo de comunicação tão importante no país, mas, segundo ele, em decadência. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Nassif, que lançou uma série chamada &lt;em&gt;Dossiê Veja&lt;/em&gt;, em que chama de antijornalismo o trabalho da revista, fala sobre a relação dessa denúncia dos grampos no STF com o caso Daniel Dantas, sobre um possível conflito entre o ministro do STF e Tarso Genro e, ainda, sobre a posição da Polícia Federal diante desse grande problema deflagrado no país.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Luis Nassif é jornalista e diretor Superintendente da &lt;em&gt;Agência Dinheiro Vivo&lt;/em&gt;. Além disso, desempenha as funções de comentarista econômico da TV Cultura, membro do Conselho do Instituto de Estudos Avançados da USP e do Conselho de Economia da FIESP. Possui um dos &lt;a href="http://www.luisnassif.com.br" target="_blank"&gt;blogs&lt;/a&gt; mais acessados e respeitados do país.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Confira a entrevista.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;Nesse caso dos grampos, foi a reportagem da Veja que motivou a reunião de ontem entre Lula e Gilmar Mendes e, por fim, o afastamento da direção da Abin. Como o senhor relaciona esse caso com o caso Daniel Dantas? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; É, escancaradamente, uma operação para livrar o Daniel Dantas desse inquérito e desse processo. A &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; perdeu todos os limites. O que espanta é ver um presidente do Supremo Tribunal Federal, baseado nos elementos que a revista coloca, sair acusando a Abin e o Paulo Lacerda, justamente os alvos do Daniel Dantas. É um momento triste na história da República: ele mostra que Dantas conseguiu uma ampla influência no Judiciário, em três partidos políticos e em grande parte da mídia. Eu acho que, para o jornalismo, o preço do descrédito é muito grande. A opinião pública inteira está percebendo o tipo de jogada feito pela &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;. E o que ela faz desmoraliza o jornalismo. Sabemos que este já foi usado para outros propósitos, mas o que existia antes era um pouco a história de troca de favores entre empresas e instituições e alguns veículos de mídia. Era um negócio antiético, mas mais light. Agora, quando temos essa contaminação da cobertura da imprensa por essas pessoas que estão claramente acusadas por formação de quadrilha e afins, entramos num terreno muito complicado e desmoralizante para um dos poderes fundamentais da sociedade, que é a imprensa de opinião.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; tem uma grande tiragem e passou a praticar um jornalismo falso, como tenho mostrado na minha série de reportagens. No entanto, há, concomitantemente, uma cumplicidade com isso por parte dos jornais. Essa matéria sobre os grampos publicada por ela não passaria num curso básico de jornalismo. Então, vem o presidente do STF, avaliza a matéria e faz com que ela se transforme em institucional. Há poucos jornalistas com coragem para questionar essa falta de consistência da matéria. Há outro aspecto que precisa ser levado em conta: a Operação Satiagraha foi muito abrangente. Ela entrou no seio da corrupção brasileira e pegou magistrados, políticos e empresas jornalísticas. Com isso, temos esquemas pesados montados por advogados, por políticos e por jornalistas. A &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; gosta muita de comparar o Brasil aos Estados Unidos e dizer que nosso país é atrasado e que os estadunidenses são o suprassumo da modernidade. São mesmo. Só que nós estamos entrando hoje num ponto muito similar ao dos anos 1930 nos Estados Unidos, quando existiu uma luta nacional contra o crime organizado e a imprensa aderiu ao crime. É complicado isso, pois o maior fator de atraso que temos é a revista &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;, inserida dentro de um tipo de jornalismo manipulador. Com a internet, as coisas até melhoraram, porque há alternativas à falta de competência jornalística. A &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; está fazendo uma operação de alto risco para poder fazer essas jogadas todas de forma profissional. Dentro da Abril, eles são chamados de &amp;ldquo;aloprados&amp;rdquo; da &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt;. Isso causa perplexidade, indignação, e o preço é a desmoralização da imprensa. Pelo menos, a internet não deixa a grande imprensa falar sozinha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;E deve partir de quem exigir uma mudança de paradigma da influência que a Veja possui?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Deve partir da Justiça. Na semana passada, a condenação do Diogo Mainardi a três meses de prisão foi um passo muito importante do Judiciário. A &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; passou a usar a calúnia e a difamação com a ajuda de dois pistoleiros &amp;ndash; o Mainardi e o Reinaldo Azevedo &amp;ndash; para atacar a honra de todo mundo e entrou num jogo muito pesado. Essa estratégia é desproporcional, porque a Abril partiu para uma avaliação custo x benefício, ou seja, começou a se perguntar: o que ganhamos se começarmos a difamar ou caluniar o fulano? Ganha porque desacredita o &amp;ldquo;fulano&amp;rdquo; e continua com liberdade para manipular isso. O que isso custa? Cem mil, 150 mil reais por processo. É um preço que eles pagam. Essa avaliação é horrorosa, faz o jornalismo cair na barbárie. Quando condenam um deles, como no caso do Paulo Henrique, esse jogo acaba. No Rio Grande do Sul, fizeram isso com o Jorge Furtado. Ele foi alvo de assassinato de reputação também. A ação contra esse tipo de publicação às vezes demora meses ou anos para ser resolvida. Como é que fica a sua reputação nesse período? Como fica a sua família e seus filhos nessa história? O que a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; está fazendo é coisa de quadrilha. Eu nunca vi algo parecido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;Essa suspensão da direção da Abin foi uma atitude correta por parte do presidente?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; O presidente é gato escaldado. Já sabe que enfrentar o STF e a imprensa juntos pode significar um risco e adotou essa medida. Ele aproveitou que a escuta pegou o pessoal da sua base e assim pode reagir contra a Operação Satiagraha. Agora, ele está numa ação de alto risco, porque validar a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; &amp;ndash; que é uma revista que está caindo em descrédito &amp;ndash; é um risco. Se você dá à &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; o direito publicar um factóide como esse &amp;ndash; porque ainda não temos uma prova real sobre esse grampo &amp;ndash; e o poder de afastar a direção da Abin, sabendo que toda a estratégia jurídica do Dantas consistia em tentar comprovar que o Paulo Lacerda tinha interferido na Operação Satiagraha para poder anular o inquérito, há outro risco alto. O Lula mandou investigar afastando a direção da Abin para não ter contaminação nos resultados. Ou seja, deu tudo o que o pessoal do STF pediu. Se houver uma investigação séria agora, quem fez paga. A &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; vai ter de mostrar suas provas. O desafio é existir uma investigação séria. Claro que não podemos botar a mão no fogo pela Abin, mas é preciso ficar claro que quem acusa tem que ter a comprovação. Aquela maluquice que a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; fez não é prova. Nenhum país civilizado, com poder Judiciário efetivo, deixa aquilo ser considerado uma matéria. Vamos ver o resultado das investigações. A partir delas, saberemos se o Lula é um enxadrista ou uma pessoa temerosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;Em que sentido a reunião de Gilmar Mendes com Lula interfere no trabalho do ministro Tarso Genro?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Eu conversei com o ministro hoje (referindo-se ao dia 02 de setembro de 2008), que me disse que esse período faz parte de um jogo complicado. Veja bem, essa questão dos direitos individuais precisa ser preservada e você não pode dar plenos direitos para o pessoal sair grampeando a torto e direito. Vivemos hoje dentro de uma democracia clássica, ou seja, numa sociedade onde a imprensa é o fator para conter excesso de poder do Executivo. No entanto, como há um alto grau de manipulação por parte da imprensa, se criou uma ameaça grande ao direito individual. Esse poder diz respeito a fazer qualquer ataque e não dar bola para o resto. Qual é o maior desafio que temos em relação à defesa dos direitos individuais? É saber se defender de esquemas como os que a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; monta. Aqui no Brasil, em nome da liberdade de imprensa, você pode assassinar reputações, fazer uma matéria fajuta e dizer que a Constituição garante sigilo de fonte... Onde nós vamos parar? Podemos dizer que o ministro Gilmar Mendes assumiu de uma forma obcecada a defesa do Dantas e deixou o Supremo Tribunal Federal numa má situação, mas os outros ministros estão deixando a história correr para não comprometer ainda mais a imagem da instituição. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;Casos como esses estão gerando desconfortos dentro da Polícia Federal. Em sua opinião, que perigos giram em torno dessa demonização da PF?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Falar da Polícia Federal é um negócio complicado. É uma organização muito envolvida em muitos problemas e foi feita uma mudança fundamental em sua estrutura pelo Paulo Lacerda, há tempos. Daí surge uma geração nova aí, não viciada ainda, que não quer entrar no esquema e quer realizar um trabalho sério de investigação. Esse pessoal é o típico funcionário que está seguindo o manual, que é a lei, a Constituição. Se esse pessoal for desestimulado, a única força que se insurgiu de forma profissional contra esses abusos e esquemas de corrupção vai ser jogada fora. É um momento complicado, é uma guerra da civilização contra a barbárie. A barbárie, nesse caso, está sendo representada, infelizmente, por órgãos de imprensa. Esse é o problema.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;E como esse problema pode ser resolvido?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; É importante deixar claro que toda essa operação visa beneficiar o Dantas. Isso cria um constrangimento para o Lula que não é fácil. Essa investigação tem a garantia do acompanhamento do Ministério Público. A Polícia Federal tem dentro da sua corporação grupos se digladiando. Se for provado que houve manipulação, a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; e o Gilmar Mendes entram numa situação complicada. Se confirmar que foi uma ordem da Abin, quem se complica é o governo. O que eu acho mais provável é que não vai se confirmar que foi da Abin e que não vai se chegar ao grampeador, porque a &lt;em&gt;Veja&lt;/em&gt; é uma revista sem-vergonha e não tem provas do que diz. Eu acho que vai ficar como um negócio não esclarecido, o que fortalece a posição do Dantas. Também vai depender muito da sinalização que o Ministro da Justiça e o Lula fizeram para a Polícia Federal para continuar investigando essa Operação Satiagraha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;A quem interessa livrar o Dantas dessa investigação?&lt;/em&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luís Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Todos os que foram subornados por ele, ou seja, três partidos políticos e jornalistas que foram pagos por ele. Interessa às publicações que fizeram acordos obscuros com ele, a juízes que se venderam para ele. É muita gente. Ele está no centro da corrupção brasileira; é uma coisa imensa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;Podemos dizer que o STF e o ministério da Justiça estão em crise?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Não sei se estão em crise. O ministro Gilmar Mendes quis provocar uma crise, mas o governo não passou recibo. A condução do Tarso Genro em relação a esses episódios foi infeliz. Nesse sentido, há uma certa ligação entre ele e o Gilmar, mas este último extrapolou. O segundo habeas corpus foi incompreensível.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;No mês passado, durante a Rodada Doha, percebeu-se que a intenção do Brasil estava dentro da questão da remessa de lucros maior do que os investimentos internos e assim atrairia capital de curto prazo. Quem sairia privilegiado se as negociações tivessem ido de acordo com as intenções do governo brasileiro?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif &lt;/strong&gt;&amp;ndash; O Brasil perderia claramente. Eu não entendi a posição do Lula de querer uma coisa a qualquer preço, porque o que se oferecia da parte agrícola lá não é suficiente para o país. Se a intenção do governo brasileiro fosse aprovada, seriam abertas as tarifas de pontuação de um conjunto importante de produtos em troca de ganhos não substanciais na área de subsídios num momento em que o câmbio brasileiro é um diferencial negativo muito grande. Se saísse do jeito que se queria, nós teríamos problemas sérios. A sorte é que a China e a Índia tiveram mais clareza sobre seus interesses.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &lt;em&gt;Dentro dessa questão ainda, que perspectivas você tem para o próximo encontro em Doha?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Luis Nassif&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Eu continuo acreditando naquilo que escrevi no livro &lt;em&gt;Os cabeças-de-planilha&lt;/em&gt; (São Paulo: Ediouro, 2007), ou seja, o mundo está no final de um processo de liberação financeira que tende a refluir. A tendência, se for bater com que ocorreu em outros períodos da história, será a de um nacionalismo mais exacerbado, uma defesa maior dos interesses nacionais, assim como aconteceu com a China, com a Índia e a Rússia. Estes sistemas de livre comércio são, geralmente, adotados por quem já atingiu um certo grau de desenvolvimento mais elevado. Quando o país atinge esse grau de desenvolvimento, pode entrar nas regras internacionais de livre comércio que, obviamente, beneficia os países mais competitivos em detrimento dos menos competitivos. Os países emergentes que seguem essas regras não conseguem se desenvolver, porque já são mais fracos, menos competitivos. Na medida em que a China quer se tornar uma potência, ela vai se insurgir contra isso.&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Mon, 08 Sep 2008 20:56:00 GMT-03:00</pubDate>
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      <title>O assassinato do intocável</title>
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&lt;![endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;No dia &lt;strong&gt;16 de março de 2005, Veja &lt;/strong&gt;produziu um factóide amplo - admitido, como sendo factóide, até por seu diretor de redação, Eurípedes Alcântara,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; (&lt;a href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/ocasofarcs"&gt;&amp;ldquo;O caso Farcs&amp;rdquo;&lt;/a&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Nele, se mostra que Veja se baseou em um araponga da ABIN para concluir que as FARCs tinham bancado R$ 5 milhões para a campanha do PT. Era uma matéria&lt;span style=""&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;inverossímil, pois afirmava que esse dinheiro chegou até os candidatos através de 300 empresários &amp;ndash; como se fosse possível conduzir sigilosamente ação de tal envergadura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Era um imenso factóide. O agente da ABIN falava em um memorando que enviou à Agência sobre o tema. E que o memorando tinha sido menosprezado. Veja informava ter entrevistado em cinco ocasiões o coronel Eduardo Adolfo Ferreira, que recebia os informes do espião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Segundo a revista:&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;O coronel diz que, nos arquivos da Abin, há gravações em áudio das promessas das Farc de ajudar o PT e, também, cópias das três ordens de pagamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Comentei no capítulo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;Com acesso à fonte, por que a revista não exigiu a apresentação das cópias - ainda que sob o compromisso de não publicá-las? Qual a razão para não ter ido atrás do elemento que não apenas consolidaria a capa, como seria o grande furo da reportagem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;De fato, tudo não passou de uma grande interpretação, com direito a capa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;O que chama a atenção é que na matéria seguinte, em que procurava justificar o factóide, a revista se valeu de quem? Do senador Demósteves Torres, o mesmo que aparece no suposto grampo da conversa com Gilmar Mendes. Clique aqui. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;Na semana passada, o espião do caso Farc disse que está disposto a contar tudo o que sabe no Congresso, desde que seu depoimento seja tomado em reunião fechada. Diante dessa possibilidade, VEJA consultou o senador Demostenes Torres, do PFL de Goiás, membro da comissão que apura a história. O senador disse que, publicada a reportagem da revista, faria o pedido para ouvir o espião. Disse também que convocaria o coronel Ferreira. Diz o senador: &amp;quot;As declarações dos dois, se confirmadas, revelam que a Abin compareceu à comissão do Congresso e ocultou a verdade dos parlamentares. É grave&amp;quot;. É grave mesmo.&lt;o:p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;A matéria não teve suíte, não teve continuação, não teve inquérito. Era falsa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;No dia 24 de janeiro de 2008, o diretor de redação de Veja, Eurípedes Alcântara, proferiu palestra para os alunos do Curso Abril de Jornalismo.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Cobrado pela capa das FARCs, explicou o que a revista fez:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;quot;A Veja disse que a Abin estava investigando. Não disse que Lula recebia de guerrilheiros. Isso é uma interpretação&amp;quot;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Agora há uma nova matéria, com os mesmos personagens: Veja, seu diretor de redação Policarpo Jr., um agente da ABIN (seria o mesmo?) e o senador Demóstenes Torres. E o presidente do STF, Gilmar Mendes, que há meses vêm estrelando várias matérias sobre supostos grampos de que foi vítima.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em /&gt;&lt;span style="font-size: 6pt;"&gt;&lt;font size="2" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;h3&gt;O amor e ódio&lt;/h3&gt; &lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Um levantamento dos bastidores dessa relação de amor-e-ódio ajudará a entender melhor os métodos da revista e as mudanças pelas quais passou desde que, a partir de meados de 2005, começou a atuar decisivamente em favor de Daniel Danta&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;A capa de &lt;strong&gt;outubro de 2004&lt;/strong&gt; foi o ápice de um processo de aproximação da revista com a PF, logo após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Para essa aproximação, &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; contou com a relação histórica do repórter Policarpo Júnior - atual diretor da revista em Brasília e autor do último ataque a Lacerda - com delegados e agentes envolvidos, principalmente, na área de inteligência da corporação.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;A reportagem foi de André Rizek e Taís Oyama. O título interno era &amp;ldquo;A autolimpeza da PF&amp;rdquo;.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Era uma matéria era altamente laudatória:&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;quot;&lt;em&gt;O processo de autodepuração por que passa a corporação é fruto de duas mudanças que tiveram início no anos 90 e começam a se consolidar agora: a primeira, de metodologia; a segunda, de valores. Ao negar o corporativismo e mirar suas próprias fileiras, a Polícia Federal deixa clara a opção por expor suas feridas, para purgá-las em seguida, em vez de escondê-las até que se transformem em um câncer incurável. Se esse saneamento é bom para a instituição, é melhor ainda para o país.&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;(...) O sucesso da prática não traz apenas ganhos morais: produz benefícios concretos para o Brasil, que seriam ainda maiores se outras instituições também empreendessem um processo de autolimpeza.&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;Tome-se o caso de Hong Kong. Em 1970, a ex-colônia inglesa tinha renda per capita de 970 dólares e era um exemplo clássico de ineficiência e corrupção &amp;ndash; fruto, principalmente, da relação promíscua entre as suas polícias e os apostadores de jogo ilegal. O governo tomou duas atitudes para reverter a situação: legalizou o jogo e promoveu uma varredura nos quadros policiais, que incluiu uma caça aos corruptos e a implantação de intensivos programas de treinamento e reciclagem. Hoje, o território chinês é considerado um dos lugares mais seguros do planeta, ocupa o 14&amp;ordm; lugar no ranking da Transparência Internacional que lista os 133 países que melhor combatem a corrupção e sua renda per capita é de 25.430 dólares. &amp;quot;Hong Kong só virou um próspero Tigre Asiático porque conseguiu livrar-se dos níveis indecentes de corrupção&amp;quot;, afirma Daniel Kaufmann, economista, diretor do setor do Banco Mundial de estudos sobre corrupção&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;quot;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Fazer matérias enaltecendo delegados e autoridades policiais, com o objetivo de conseguir informações exclusivas, não é prática bem vista na profissão.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style="font-family: verdana;"&gt;Conquistando Lacerda&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; partiu agressivamente para essa linha e passou a contar com a simpatia do sempre discreto delegado Paulo Lacerda, então diretor-geral da corporação.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Lacerda começou a fazer nome como responsável pelo inquérito que investigou Fernando Collor de Mello e Paulo César Farias, o PC, tesoureiro de campanha.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Aposentado em 1993, foi trabalhar com o senador Romeu Tuma, hoje no PTB de São Paulo. Em 1999 teve papel fundamental na organização e nas investigações da CPI do Narcotráfico, onde atuou ao lado do então deputado Robson Tuma, do PFL.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Quando Lula assumiu, o nome de Paulo Lacerda foi naturalmente aventado pelos setores mais sérios da PF e do Poder Judiciário, apesar da forte pressão para que a área sindical da Polícia Federal assumisse a Diretoria Geral da corporação.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;O outro candidato, apoiado pela área sindical do PT e pelo ex-ministro José Dirceu era o agente aposentado Francisco Garisto, então presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais).&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Na época, delegados mandaram um recado para o ministro Márcio Thomaz Bastos: se Garisto assumisse, a PF iria entrar numa guerra interna sem fim. Bastos limou Garisto e escolheu Lacerda. Foi uma escolha sensata&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;De estilo silencioso, Lacerda é o que se chamava, dentro da PF, de forma pejorativa, de um &amp;ldquo;papeleiro&amp;rdquo; &amp;ndash; segundo me relata um repórter experiente da área. Ou seja, um apaixonado por investigação, documentos, planilhas, provas materiais definitivas e, principalmente, trabalho de inteligência. Era um contraponto para uma geração de delegados ainda apegada ao estilo chute-na-porta para entrar na casa de suspeitos e pau-de-arara para arrancar confissão.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Os jornalistas logo perceberam essa diferença e a limpeza ocorrida. A turma ligada a esquemas foi afastada, a truculência&amp;nbsp; punida e, de cara, 44 policiais corruptos foram presos e afastados. Tudo isto apenas nos 20 primeiros meses da gestão Lacerda.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Foi quando saiu a capa dos &amp;ldquo;Intocáveis&amp;rdquo;. A matéria fez sucesso dentro da corporação, a PF ganhou uma ótima visibilidade e os repórteres da &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; passaram a ser tratados a pão-de-ló.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Logo, ganhariam um presente de Lacerda.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="4"&gt;A máfia dos apitos &lt;/font&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Em &lt;strong&gt;agosto de 2005&lt;/strong&gt;, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal iniciaram uma investigação para desmantelar uma quadrilha que fraudava resultado de partidas de futebol do campeonato brasileiro a partir de subornos pagos a juízes.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;O líder desses juízes era Edílson Pereira de Carvalho, um árbitro da Fifa. Ele e outros recebiam de R$ 10 mil a R$ 15 mil por partida para mudar o rumo dos jogos.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; ganhou da PF todos os dados da investigação, acesso irrestrito às escutas telefônicas e prioridade nas conversas com delegados e procuradores envolvidos. Na época não interpretou esse acesso a dados do inquérito como sinal de que o grampo campeava à solta. Foi beneficiária e cúmplice desse jogo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Os repórteres escolhidos, como era de se esperar, foram os mesmos da matéria dos &amp;ldquo;Intocáveis&amp;rdquo;: André Rizek e Taís Oyama. A dupla tinha, apenas, que cumprir o acordo de publicar somente quando a investigação estivesse completa, pois só assim todos os envolvidos seriam pegos, inclusive cartolas de grandes clubes.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt;, no entanto, não quis esperar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Cientes de que outros repórteres também estavam sabendo do caso, a direção de &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; ordenou que Rizek e Taís publicassem o que tinham, atropelando o acordado com a PF. Paulo Lacerda pediu que a revista tivesse bom senso, porque a publicação prematura da matéria poderia estragar toda a investigação. De nada adiantou. Na edição de &lt;strong&gt;28 de setembro de 2005&lt;/strong&gt;, André Rizek e Taís Oyama publicaram a matéria &amp;ldquo;Jogo sujo&amp;rdquo;, com a chamada de capa &amp;ldquo;A Máfia do Apito&amp;rdquo;, onde aparecia uma foto do juiz Edílson Pereira de Carvalho.&lt;br /&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;a imageanchor="1" href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/MafiaApito.jpg/MafiaApito-full;init:.jpg" style="border: 0pt none ; background-color: transparent; clear: left; margin-bottom: 1em; float: left; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img style="border: 0pt none ;" src="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/MafiaApito.jpg/MafiaApito-medium;init:.jpg" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A matéria prejudicou toda a operação. Apenas Edílson foi preso, mesmo assim, sem todas as provas necessárias para esclarecer o tamanho e a dimensão das fraudes. A relação de &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; com Paulo Lacerda, então começou a azedar. Os privilégios foram acabando, o acesso irrestrito aos inquéritos cessou e as investigações mais importantes passaram a ser vazadas para outros veículos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;O caso da Máfia do Apito, no entanto, foi apenas o catalisador da ruptura. Um ano antes, uma outra operação da PF tinha começado a incomodar a Editora Abril.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="4"&gt;A operação Chacal &lt;/font&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Deflagrada em &lt;strong&gt;outubro de 2004&lt;/strong&gt;, a Operação Chacal, investigou a atuação da empresa de consultoria Kroll, acusada de ser contratada pelo banqueiro Daniel Dantas para espionar a Telecom Italia e integrantes do alto escalão do governo Lula.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;À época, Dantas, dono do grupo Opportunity, disputava na Justiça com a Telecom Italia o controle da Brasil Telecom. Como resultado das investigações da Operação Chacal, Dantas foi indiciado por formação de quadrilha, corrupção ativa e quebra ilegal de sigilo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Foi quando Dantas começou a se articular com a &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt;. E um dos alvos do banqueiro foi tentar quebrar a espinha dorsal da PF e acertar Lacerda.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Com a ajuda da Kroll, mandou confeccionar um dossiê falso (&lt;a href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/odossi%C3%AAfalsificado"&gt;O dossiê falso&lt;/a&gt;), entregue aos repórteres Márcio Aith e Mário Sabino, no Rio, pelo espião Frank Holder, a mando de Daniel Dantas, conforme a dupla de jornalistas confessou em depoimento ao delegado Disney Rosseti, da PF, presidente do inquérito sobre o dossiê.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Na papelada, Dantas fez questão de incluir o nome do delegado Paulo Lacerda, acusado de manter uma conta com 1,1 milhão de euros no exterior. O inquérito do delegado Rosseti teve um resultado pífio: Dantas foi indiciado por calúnia, com base na Lei de Imprensa, mas a imprensa ficou de fora. Aith e Sabino saíram ilesos do inquérito. Lacerda processou a &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2"&gt;Recentemente, &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; publicou matéria acusando Lacerda de ter comandado a Operação Satiagraha de dentro da Abin e de ter acesso a todos os cadastros de telefones do país &amp;ndash; uma maluquice que apenas prospera devido à falta de discernimento.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em 2004 Lacerda e a &lt;/span&gt;&lt;strong style="font-family: verdana;"&gt;Veja&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; estavam do mesmo lado. Em 2008 estão de lados opostos. Aparentemente, Lacerda está onde sempre esteve. Quem mudou&lt;/span&gt; de lado foi a revista.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Sat, 30 Aug 2008 13:00:00 GMT-03:00</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O lobista de Dantas</title>
      <link>http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=8094</link>
      <description>&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Na longa noite de São Bartolomeu, tudo foi permitido à direção da revista &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt;. Poucas vezes se assistiu na imprensa brasileira a tal festival de violência gratuita, de deslumbramento, de demonstração de força, de ataques generalizados contra a honra de terceiros, &lt;/font&gt;&lt;font size="2"&gt;atropelando normas básicas de jornalismo como novos ricos do poder.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Assemelhavam-se a um bando de alucinados armados, atirando contra qualquer vulto que se mexesse à sua frente.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Muitos episódios ficarão na lembranças dos leitores. Não apenas as capas - de uma agressividade incompatível com uma grande publicação -, mas as matérias estranhas de assassinatos de reputação em disputas comerciais, a manipulação da lista dos livros mais vendidos para beneficiar um diretor da revista.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="separator" style="clear: both; text-align: center"&gt;&lt;a style="border-top-width: 0pt; clear: left; border-left-width: 0pt; float: left; border-bottom-width: 0pt; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; background-color: transparent; border-right-width: 0pt" href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2008/05/diogo-mainardi-thumb.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img style="border-top-width: 0pt; border-left-width: 0pt; border-bottom-width: 0pt; border-right-width: 0pt" tabindex="65535" height="160" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2008/05/diogo-mainardi-thumb.jpg" width="200" tabindexset="true" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Dentre todos os assomos de anti-jornalismo, quando todos os detalhes forem conhecidos, a herança que terá desdobramentos , será os motivos que levaram a direção da revista a permitir que o colunista Diogo Mainardi praticasse o mais escancarado lobby empresarial que a grande imprensa brasileira tida por séria já produziu. E em defesa do mais polêmico empresário brasileiro, Daniel Dantas, preso pela Polícia Federal sob a acusação de formação de quadrilha.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;O episódio é relevante para se aprofundar sobre o papel da mídia nesse jogo, dos jornalistas que, sob a batuta de Dantas, manipularam informações com o claro intuito de influenciar o Judiciário.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;É o caso de Diogo Mainardi.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Desde a morte de Paulo Francis se apresentaram vários candidatos à sua sucessão. No Estadão, Daniel Piza; na Folha (depois no Estadão)&amp;nbsp;e no sistema Globo, Arnaldo Jabor, que acabou levando o cetro por seu conhecimento, talento e histrionismo. E uma malandragem tipicamente franciana.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Mainardi foi a aposta de &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt;, forçada em quem não dominava princípios básicos de política, economia, de história e tinha evidente dificuldade em diversificar temas para suprir uma coluna apenas semanal.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Copiava Jabor. Mas sem sua &lt;/font&gt;cultura e talento, a diferenciação se dava na grosseria e na certeza de contar com as costas largas da Abril - garantindo advogados e pagamento das condenações pecuniárias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rompidos os limites jornalísticos, o que se seguiu foi mera conseqüência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As ligações com Daniel Dantas surgiram a partir de 2005. Dois episódios em particular expuseram a revista de maneira imprudente.&lt;/p&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;O primeiro foi na confusão em que a revista se meteu no episódio das contas de autoridades no exterior (&lt;a href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/odossi%C3%AAfalsificado"&gt;O dossiê falso&lt;/a&gt;). Como se recorda, o material foi fornecido por Dantas; o editor incumbido de ir atrás apurou que era falso. Para salvar a cara de Dantas, o diretor da revista Eurípedes Alcântara incumbiu Mainardi de conseguir uma &amp;ldquo;entrevista&amp;rdquo; com o banqueiro, que serviria como contrapeso à revelação sobre a falsificação (&lt;a href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/odossi%C3%AAfalsificado"&gt;O dossiê falso&lt;/a&gt;).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;Mainardi trouxe um relatório claramente preparado pelos próprios advogados de Dantas, com as perguntas e respostas prontas. O amadorismo editorial da revista não a levou sequer a adaptar a entrevista aos padrões da própria revista &amp;ndash; consolidados há três décadas, pelo menos.&lt;/font&gt;&lt;div style="font-family: verdana; text-align: center"&gt;&lt;font size="1"&gt;À esquerda o padrão de edição ping-pong. À direita a &amp;quot;entrevista&amp;quot; feita por Mainardi&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="separator" style="clear: both; text-align: center"&gt;&lt;a style="border-top-width: 0pt; border-left-width: 0pt; border-bottom-width: 0pt; margin-left: 1em; margin-right: 1em; background-color: transparent; border-right-width: 0pt" href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/EntrevistasDuas.jpg/EntrevistasDuas-full;init:.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img style="border-top-width: 0pt; border-left-width: 0pt; border-bottom-width: 0pt; border-right-width: 0pt" tabindex="65535" height="283" src="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/EntrevistasDuas.jpg/EntrevistasDuas-large.jpg" width="420" tabindexset="true" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;O segundo &amp;ndash; mais grave &amp;ndash; foi nos eventos que cercaram as negociações da Brasil Telecom com a Telemar. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;Para se prevenir contra denúncias, que poderiam enfraquecer sua posição negocial, Dantas acionou Mainardi de forma intensa. &lt;/font&gt;&lt;font size="2"&gt;Criou-se um gancho &amp;ndash; o tal relatório que estaria sendo preparado pelo Ministério Público italiano, cujas informações Mainardi vazava seletivamente.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;Mainardi passou a mencioná-lo constantemente, com insinuações de que conteriam denúncias contra jornalistas brasileiros que supostamente teriam sido subornados.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;Aqui no Blog, desafiei-o a abrir as informações, com base em um princípio elementar: jornalista (ainda que parajornalista) que diz ter uma informação, não a divulga e a utiliza como ameaça é chantagista. O desafio desarmou o blefe. E aí Mainardi se perdeu.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;A série &amp;quot;O Caso de Veja&amp;quot; já conseguira chamar a atenção da opinião pública esclarecida, incluindo as redações. Os capítulos acabaram jogando um holofote sobre sua atuação.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Mesmo assim, não parou, provavelmente devido a compromissos que o impediriam de interromper o lobby. As negociações entre Dantas e os controladores da Telemar estavam a pleno vapor. As denúncias vazadas para Mainardi visavam coibir as críticas - através de chantagem explícita -, enrolar a opinião pública de maneira a fortalecer a posição de Dantas. Em plena batalha, não se viu em condições de suspender sua operação.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Com a credibilidade abalada, decidiu publicar uma nova coluna e colocar na Internet o tal relatório, em PDF. Foi sua perdição. Leitores do Blog constataram que, ao contrário do que Mainardi afirmava, o relatório fora escaneado no Brasil, páginas haviam sido suprimidas denotando manipulação.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Nesse ínterim, a revista &lt;strong&gt;CartaCapital&lt;/strong&gt; conseguiu entrevistar Angelo Jannone, ex-chefe da segurança da Telecom Italia no Brasil - e alvo de investigações do Ministério Público italiano. Mainardi julgou que tinha conseguido o seu álibi.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="4"&gt;Um roteiro para entender&lt;/font&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3&gt;&amp;nbsp;&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;Antes de avançar no nosso roteiro, vamos entender melhor o papel de cada personagem na novela italiana.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;Nos primeiros anos à frente da Telecom Italia, o cappo da Pirelli Tronchetti Provera entrou em guerra comercial pesada contra Daniel Dantas. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;Àquela altura, contratada por Dantas a Kroll atuava a todo vapor, grampeando autoridades, jornalistas, alimentando a imprensa cooptada. Para enfrentá-la, foi enviado ao Brasil o ex-carabineiro Angelo Jannone, que acabou sendo peça central na divulgação do chamado &amp;ldquo; dossiê Kroll&amp;rdquo;- que, comprovando grampos em autoridades brasileiras, levou à abertura do inquérito pela PF e pelo MP.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;O chefe de Jannone era Giuliano Tavalori - que foi preso por um ano, sob a acusação de comandar o esquema de espionagem da companhia, em um inquérito que apurava escândalos da Parmalat italiana. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;Tavalori tinha como assessor Marco Bernardini, personagem menor do jogo, ex-agente do serviço secreto italiano, que deixou a função para trabalhar na Global, agência particular de investigações de Gianpaolo Spinelli, ex-agente da CIA.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;Em determinado momento, esse Bernardini procurou a justiça italiana e passou a fornecer espontaneamente um conjunto de informações sobre o Brasil. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;Em um inquérito, as informações de uma testemunha são colocadas sem juízo de valor. Mais tarde, caberá às investigações, a ao juiz, decidir se são falsas, verdadeiras ou não comprováveis.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="4"&gt;&lt;font size="2"&gt;No meio do caminho, surgiu também uma tradutora que passou a distribuir informações para a imprensa brasileira.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font style="font-family: verdana" size="2"&gt;Com base nas declarações de Bernardini e da tradutora, montou-se o esquema jornalístico de Dantas na imprensa brasileira &amp;ndash; &lt;/font&gt;&lt;font size="2"&gt;tendo como ponta de lança as colunas de Mainardi.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Tornou-se quase um jogo de tiro ao pato. Bastava Bernardini formular qualquer suspeita, as declarações irem para o inquérito, o inquérito ser vazado para os jornalistas do esquema e estes fuzilarem os recalcitrantes. Qualquer nome que entrasse na história, ainda que mencionado de passagem, era exposto como suspeito por Mainardi, em colunas que, mesmo não fundamentadas, ecoavam em 1,2 milhão de exemplares.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;A estratégia de procurar manipular o Judiciário com informações falsas ou dirigidas&amp;nbsp; tornou-se escancarada. Na coluna em que mencionava o relatório, Mainardi informava que o estava encaminhando às autoridades judiciais. A manipulação não se limitava mais a produzir factóides, informações falsas ou verdadeiras que eram aproveitadas por Dantas nos diversos processos que enfrentava. Agora, era a entrega direta da documentação a juízes.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="4"&gt;Mainardi se expõe&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;Voltemos, agora, à entrevista da &lt;strong&gt;CartaCapital&lt;/strong&gt; com Angelo Jannone (&lt;a href="http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&amp;amp;a2=8&amp;amp;i=592"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;Aparentemente assustado com a revelação da sua jogada com Dantas, Mainardi apelou para o testemunho de Jannone, &lt;font size="2"&gt;mencionando&lt;font size="2"&gt; a entrevista como comprovação da sua inocência e confirmação das fontes a que tinha acesso. Segundo ele, Jannone seria uma delas. E, aí, escancarou a guarda e permitiu juntar as últimas peças que faltavam para entender sua atuação.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Indagado pela &lt;strong&gt;CartaCapital&lt;/strong&gt; se havia sido procurado por alguém da Veja, Jannone respondeu:&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;AJ&lt;/strong&gt;: Uma vez, pelo telefone, me procurou o Mainardi. Creio que quem deu meu número foi um jornalista italiano. O mesmo a afirmar que os documentos do processo em andamento por aqui eram passados a Mainardi pelo próprio Bernardini&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CC&lt;/strong&gt;: Quando Mainardi telefonou? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;AJ&lt;/strong&gt;: Em 2006. De saída, Mainardi disse saber que sou um bom sujeito, em seguida declarou sua intenção de perseguir a turma do PT por ter certeza de que recebera propinas&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram essas as declarações de Jannone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia &lt;strong&gt;8 de abril de 2008&lt;/strong&gt;, em seu podcast semanal, Mainardi declarou o seguinte: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;Em vez de mentir a meu respeito, declarando que fabriquei o documento, o araponga da Telecom Italia reconheceu sua autenticidade, dando até o nome do indiciado que o teria remetido para mim&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jannone apenas mencionara que recebeu um telefonema de Mainardi em 2006. Não havia uma palavra sequer sobre o documento publicado por Mainardi.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Mainardi prosseguia: &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;Além de me acusar de ter forjado documentos, a ala mais aloprada da imprensa paraestatal me acusou também de inventar fontes jornalísticas na Itália. O entrevistado de Carta Capital desmentiu os aloprados. Numa enfiada só, ele revelou três de minhas fontes: ele mesmo, um jornalista e o indiciado que me teria repassado os documentos oficiais do tribunal italiano&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Jannone simplesmente não se referira a fontes ou documentos. Mainardi se fiava na diferença de cobertura da &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; em relação à &lt;strong&gt;CartaCapital&lt;/strong&gt; para desenvolver uma tese fantasiosa.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;A imprensa paraestatal ficou meio abobalhada com esses dois desmentidos, tanto que engendrou uma trama ainda mais fantasiosa do que a anterior: sim, os documentos que publiquei talvez fossem verdadeiros, mas nesse caso o próprio inquérito italiano estaria contaminado por Daniel Dantas. Além de manipular dossiês, Mainardi manipulava as denúncias. A denúncia era de que o relatório manipulava dados do inquérito da polícia italiana&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A denúncia é que o arquivo de Mainardi mostrava claramente diferenças de numeração, indicando que quem o montou poderia ter misturado peças do inquérito italiano com outras de fora.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;O documento tem duas numerações. Uma aparentemente a numeração oficial do inquérito. Outra, uma numeração específica do documento. Por exemplo, foram escondidas as 135 primeiras páginas do inquérito original.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Esse estilo de falsear verdades, inventar declarações, criar acusações falsas para poder rebatê-las permeou toda a atividade do colunista nesses anos todos.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;Em seu Blog, Jannone publicou um texto em italiano, com o seguinte conteúdo (traduzido):&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;Nesse meio tempo, o &amp;quot;segredo&amp;quot; foi revelado: os documentos publicados por [Janaína] Leite e [Diego] Mainardi saíram de repartições do judiciário brasileiro, aos quais não chegaram por canais oficiais (Procuradoria de Milão), mas oficiosos. Interessante! Ficou completo, desse modo, o serviço prestado aos investigados no inquérito brasileiro (Operação Chacal). Ou seja: textos são introduzidos no processo italiano, as declarações (que se transformam em declarações oficiais) acabam chegando por canais misteriosos àqueles que os fornecem ao Ministério Público brasileiro, e alguns deles, por sua vez, à imprensa. Salva-se a cara, salva-se o processo. Só não se salva a verdade&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="4"&gt;A entrevista com Jannone&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Não existem mocinhos nessa história, mas vamos à versão de Jannone - que poderá ser conferida nos áudios anexados ao capítulo - que ajuda a colocar algumas peças que faltam nesse quebra-cabeças.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Conta Jannone que, na sua primeira apresentação aos promotores, Bernardini apresentou - sem nada comentar - a reportagem de capa de &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; sobre as tais contas secretas de autoridades brasileiras no exterior (&amp;ldquo;O Dossiê Falso&amp;rdquo;).&amp;nbsp; A mesma capa que Eurípedes procurou salvar colocando Mainardi para simular a entrevista com Dantas.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Jannone diz mais: no inquérito italiano, o advogado de Bernardini afirma que na última vez que veio ao Brasil foi para encontrar-se com Marcos Valério - o publicitário que ajudou a financiar o &amp;quot;valerioduto&amp;quot; e que tinha a conta da Telemig Celular, no tempo em que era controlada pelo Opportunity.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Seu depoimento, somado às matérias que têm saído de jornalistas ligados a Dantas, permitem identificar nitidamente a estratégia de Mainardi, com a qual a direção de &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; passou a compactuar, com Eurípedes servindo de avalista junto à Abril &amp;ndash; sustentando que as colunas se baseavam em provas concretas. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;A entrevista com Jannone foi gravada com sua autorização. Reproduzo trecho a trecho para facilitar a compreensão dos leitores.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 1&lt;/strong&gt; - Jannone diz que o inquérito começou com declarações mentirosas de fontes. No começo não conseguiu entender. Depois, ficou mais claro. No início de sua &amp;quot;colaboração&amp;quot; com a justiça italiana, Bernardini ficou falando do Brasil. Ele não conhece o Brasil, nem tem cabeça refinada para falar o que falou, diz Jannone. A imagem que Bernardini tentava passar era de uma Polícia Federal brasileira corrupta. políticos corruptos, e Jannone responsável pelos subornos. A coisa mais estranha, diz Jannone, é que no primeiro dia de interrogatório dele, entregou aos promotores, sem nada comentar, a famosa reportagem da &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt; que falava de contas bancárias do presidente Lula, do chefe da Polícia Federal, Lacerda. Mas de forma estranha, sem comentar, como se outra pessoa tivesse dito a ele: se você vai lá, entrega isso.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 2&lt;/strong&gt; &amp;ndash; depois apareceu uma testemunha, esta Araújo (a tradutora), contando uma história absurda, de ter ouvido, como tradutora, conversas entre funcionários da Telecom Italia que falavam de corrupção e propinas a políticos brasileiros. E que estas conversas chegaram do Brasil por meio de Angelo Jannone. A tradutora fala que conversas estavam armazenadas em uma pasta de computador chamada &amp;quot;Telegrafo&amp;quot;. Os promotores não perceberam que a pasta já tinha sido entregue por mim, diz Jannone. E que conversas não eram entre executivos da Telecom Italia, mas de um amigo conversando com lobistas e executivos da Brasil Telecom, que contavam a ele como a Alcatel, a Ericsson, todas essas empresas de tecnologia, tinham que pagar propina para obter trabalhos na Brasil Telecom. E pagavam ao banco do Dantas. &amp;quot;Depois vou descobrir, analisando os documentos do processo de Milão, que o advogado de Bernardini viaja muito frequentemente para o Brasil e é amigo do Marcos Valério&amp;quot;, diz Jannone.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 3&lt;/strong&gt; &amp;ndash; diz ter sido preso por causa do Bernardini que contou &amp;quot;histórias absurdas&amp;quot;. Depois, Dantas, que chegou à Itália &amp;quot;contando essa história fabulosa de que foi vítima de conjura preparada por Angelo Jannone contra ele, quando todo mundo sabe no Brasil que a investigação da Polícia Federal aconteceu independentemente da história da Parmalat&amp;quot;, diz Jannone. Os promotores não vão aprofundar esses esforços no Brasil, porque na opinião deles o Brasil é país de corruptos, então não precisa fazer rogatórias no Brasil.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 4&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Jannone se diz vítima de declaração caluniosa do Dantas, que chegou na Itália afirmando que jornais brasileiros falavam que Jannone muito próximo à Polícia Federal. Era mentira,&amp;nbsp; diz Jannone, que afirma ter tomado conhecimento dos documentos de investigação da PF através de um jornalista do JB.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 5&lt;/strong&gt; &amp;ndash; quando foi fechado acordo entre Telecom Italia e Dantas, provavelmente já começou a estratégia para contornar as investigações do Ministério Público italiano. Essa estratégia teria que passar sobre a minha cabeça, diz Jannone.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 6&lt;/strong&gt; &amp;ndash; &amp;quot;minha entrevista à Carta Capital não comprovava nada&amp;quot;, diz ele. Disse apenas que Mainardi o procurou mais ou menso dois anos atrás, comentando aquilo que teria contado Bernardini sobre lobistas, políticos, essas declarações genéricas. &amp;quot;Olha, eu quero só confirmar...&amp;quot; Eu respondi: &amp;quot;Senhor Mainardi, eu não confirmo nada porque não é verdade. Eu jamais mandei pagar políticos ou funcionários públicos brasileiros&amp;quot;.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 7&lt;/strong&gt; &amp;ndash; saiu outra coisa interessante, que foi a entrega ao Mainardi desse material do inquérito italiano. Se descobrir quem entregou, se poderia entender muito melhor o jogo, diz Jannone. Seria interessante saber quem entregou ao Mainardi minha ordem de prisão, diz Jannone. Mesmo jornalistas italianos nada sabiam.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 8&lt;/strong&gt; &amp;ndash; No final de 2007, o advogado do Bernardini, falando com os promotores - está escrito isso - fala &amp;quot;olha, a última vez que fui ao Brasil, encontrei Marcos Valário, que foi por sua vez aproximado por uma pessoa que pedia informações sobre o inquérito de Milão. Porque ele está dizendo isso? O que tem a ver o advogado do Bernardini com o Marcos Valério? Isso seria interessante aprofundar, diz Jannone.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 9&lt;/strong&gt; &amp;ndash; nunca fui fonte da Janaina Leite, diz ele. &amp;quot;Ela me procurou quando chegou na Itália, me procurou por telefone, querendo uma entrevista. Eu disse que, sendo que trabalhava na Telecom Italia naquela época, não podia dar entrevista. Ela disse que queria comentário sobre o que declarou Bernardini, que dizia que pagou propina. Disse que Bernardini era mentiroso e podia demonstrar. Se você vai escrever isso, vou processar a &amp;quot;Folha de São Paulo&amp;quot;, disse ele. &amp;quot;Depois, fui avisado do Brasil de que Janaína Leite não era uma jornalista independente, falando dessa forma. Me disseram para tomar cuidado. Ela me escreveu email dizendo que só queria descobrir a verdade, que estava disponível quando quisesse conversar. Disse que a verdade seria descoberta em processo, não em jornais.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 10&lt;/strong&gt; &amp;ndash; Menciona o papel de Bernadini nesse inquérito.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Trecho 11&lt;/strong&gt; - Fala sobre os honorários do advogado Marcelo Elias. A Telecom Italia, de Provera, quando guerreava com Dantas resolveu bancar as custas judiciais de Luiz Demarco contra Dantas na Inglaterra. No meio do caminho houve o acordo de paz entre Provera e Dantas. Mas Demarco continuou a guerra e exigiu que a Telecom Italia pagasse os advogados contratados, conforme o combinado. Jannone confirma que todos os pagamentos foram comprovados. E diz ter pago Elias em um paraíso fiscal para não expor a empresa. Mainardi sempre se referia a esses honorários (US$ 100 mil) como sendo destinados a propinas no Brasil.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="width: 430px; text-align: center"&gt;&lt;embed src="http://www.mixwit.com/flash/widgets/shell.swf" width="426" height="327" type="application/x-shockwave-flash" scale="ShowAll"&gt;&lt;/embed&gt; &lt;a href="http://www.mixwit.com/luisspsp2?e"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; padding-right: 0px; border-top: 0px; padding-left: 0px; padding-bottom: 0px; margin: 0px; border-left: 0px; padding-top: 0px; border-bottom: 0px" alt="" border="0" src="http://www.mixwit.com/p.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.mixwit.com/create?e"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; padding-right: 0px; border-top: 0px; padding-left: 0px; padding-bottom: 0px; margin: 0px; border-left: 0px; padding-top: 0px; border-bottom: 0px" alt="" border="0" src="http://www.mixwit.com/m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.mixwit.com/?e"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; padding-right: 0px; border-top: 0px; padding-left: 0px; padding-bottom: 0px; margin: 0px; border-left: 0px; padding-top: 0px; border-bottom: 0px" alt="Mixwit" border="0" src="http://www.mixwit.com/l.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="visibility: hidden; width: 0px; height: 0px" height="0" alt="" width="0" border="0" src="http://counters.gigya.com/wildfire/CIMP/bT*xJmx*PTEyMTU1MjAzNjg4OTUmcHQ9MTIxNTUyMTIwNTQ4MyZwPTE4NDMzMSZkPSZuPSZnPTE=.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 08 Jul 2008 09:44:00 GMT-03:00</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O caso Veja: mais um capítulo</title>
      <link>http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=7993</link>
      <description>&lt;p&gt;O novo capítulo sobre a revista Veja conta como ela se aliou ao governador de Rondônia, Ivo Cassol &amp;ndash; acusado de inúmeros crimes e desmandos &amp;ndash; para cometer um assassinato de reputação contra um procurador federal que combatia o crime.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=7992" target="_blank"&gt;Aqui, para ler no Blog&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://luis.nassif.googlepages.com/teste" target="_blank"&gt;Aqui, para ler no Googlepages.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Thu, 03 Jul 2008 10:19:00 GMT-03:00</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>O caso Ivo Cassol</title>
      <link>http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=7992</link>
      <description>&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;No capítulo &lt;a href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/ocasomaur%C3%ADciomarinho"&gt;O Araponga e o Repórter&lt;/a&gt; mostrou-se como &lt;strong&gt;Veja &lt;/strong&gt;não relutou em se associar ao banditismo e ao submundo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Lá, se contava que a principal fonte da revista - no episódio do vídeo sobre o funcionário dos Correios recebendo propina - foi um empresário que, poucos anos depois, foi flagrado em uma das operações da Polícia Federal. O material fornecido serviu para o lobista afastar concorrentes e o empresário restaurar seu esquema de corrupção - que funcionou sem ser incomodado até a PF estourá-lo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Esse jogo de alianças espúrias com o submundo não terminou aí. A prática de vender a alma ao diabo em troca de informações e manipulá-las, atropelando princípios básicos de jornalismo, prosseguiu mesmo após a catarse do &amp;quot;mensalão&amp;quot;.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;É o que ocorreu no episódio recente, em que &lt;strong&gt;Veja &lt;/strong&gt;se aliou ao governador de Rondônia , Ivo Cassol (sem partido ex-PPS).&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;No caso do grampeador, nas duas pontas não havia mocinhos. No caso do governador, a revista aceitou deliberadamente assassinar a reputação de um homem da lei, de reputação ilibada, que durante anos, combateu duramente o crime organizado de Rondônia.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Quem é Ivo Cassol, o governador de Rondônia?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a style="border: 0pt none ; margin-left: 1em; margin-right: 1em; background-color: transparent;" imageanchor="1" href="http://www.rondonia.ro.gov.br/imagens-noticias-comunicados/%7BEEB4EA21-9687-40D8-9450-CA93C77AACDB%7D_Governador%20Ivo%20Cassol%20net.JPG"&gt;&lt;img width="200" height="150" style="border: 0pt none ; cursor: move;" alt="" src="http://www.rondonia.ro.gov.br/imagens-noticias-comunicados/%7BEEB4EA21-9687-40D8-9450-CA93C77AACDB%7D_Governador%20Ivo%20Cassol%20net.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;strong&gt;Em 2004&lt;/strong&gt; foi acusado de comandar um esquema de extração clandestina de diamantes e contrabando de ouro &lt;/font&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: 'Trebuchet MS';"&gt;na reserva indígena Roosevelt, dos Cintas-Largas (&lt;a href="http://www.agenciaamazonia.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=1244&amp;amp;Itemid=112"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;strong&gt;Em 2005&lt;/strong&gt; foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de ter cometido irregularidades quando prefeito de Rolim de Moura (&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u71502.shtml"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;strong&gt;Em 2007&lt;/strong&gt;, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou-o ao STF (Supremo Tribunal Federal) por compra de votos, formação de quadrilha e coação de testemunhas (&lt;a href="http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/criminal/pgr-denuncia-governador-ivo-cassol-e-senador-expedito-junior/"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;No dia &lt;strong&gt;13 de abril de 2008&lt;/strong&gt;, reportagem do &lt;strong&gt;Fantástico &lt;/strong&gt;sobre a Operação Titanic, da Polícia Federal, comprometia Cassol até a medula (&lt;a href="http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1678213-4005-815238-0-13042008,00.html"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;):&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;Exclusivo. Você vai conhecer os bastidores da Operação Titanic. A ação da Polícia Federal acompanhou os passos de uma quadrilha que envolveu até um governador de estado no golpe dos carrões importados.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;Dentro de um galpão estão dezenas de milhões de reais em forma de carros e motos importados. São super máquinas que chegam a valer R$ 2 milhões no Brasil. Super máquinas subfaturadas.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;ldquo;30% a 40% menores aos preços de mercado&amp;rdquo;, diz a procuradora da República (ES) Nádja Machado Botelho.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;A Justiça investiga a participação de um governador e do filho e do sobrinho dele na obtenção de facilidades para o esquema.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;Nos vídeos e fotografias da investigação a que o Fantástico teve acesso, você vai saber como a Polícia Federal seguiu o filho do governador de Rondônia, Ivo Cassol, durante a chamada Operação Titanic, para desmascarar a quadrilha da sonegação (...).&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;Adriano se tornou conhecido nacionalmente em 2006, ao ser flagrado agredindo uma mulher depois de uma batida de trânsito. No mesmo ano, a Polícia Federal apreendeu seis carros de luxo que ele havia importado. Uma lancha que ele comprou do megatraficante colombiano Juan Carlos Abadía, capturado em 2007, também foi apreendida&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Este é Ivo Cassol.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="4"&gt;A reportagem armada&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;No dia &lt;strong&gt;23 de abril de 2008&lt;/strong&gt; Cassol já era conhecido nacionalmente, através de reportagem-denúncia de um dos programas de maior audiência da televisão, o &lt;strong&gt;Fantástico&lt;/strong&gt;, divulgado apenas dez dias antes, quando começou seu jogo com a &lt;strong&gt;Veja&lt;/strong&gt;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;A revista denunciava um suposto seqüestro falso de um procurador federal e um funcionário da ONU pelos índios cintas-largas. Segundo a revista, o seqüestro teria sido simulado para dar evidência aos personagens.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a style="border: 0pt none ; margin-left: 1em; margin-right: 1em; background-color: transparent;" imageanchor="1" href="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/Cassol01.tiff/Cassol01-full;init:.tiff"&gt;&lt;img width="420" height="376" style="border: 0pt none ;" alt="" src="http://pages.google.com/edit/luis.nassif/Cassol01.tiff/Cassol01-large.tiff" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;quot;Os cintas-largas, de Rondônia, estão entre as etnias indígenas mais hostis do Brasil. Em 2004, eles massacraram 29 garimpeiros a tiros, flechadas e pauladas. Com esse histórico, não tiveram dificuldade em ganhar as páginas dos jornais do mundo inteiro, em dezembro do ano passado, quando anunciaram o seqüestro de um membro do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, um procurador da República e outras três pessoas&lt;/font&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;quot;. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;span class="revistascorpo"&gt;As provas apresentadas pela revista eram um vídeo (de dois anos antes, que nada tinha a ver com os cintas-largas), fotos do representante da ONU tomando banho de rio e do procurador falando ao celular.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;span class="revistascorpo"&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Numa das cenas, que ilustra esta página, vê-se o funcionário da ONU, o espanhol David Martín Castro, muito satisfeito, tomando banho de rio com seus supostos carcereiros. No dia em que deixou a reserva, Martín Castro fez um discurso emocionado em homenagem a seus anfitriões. &amp;quot;Agradeço pelas &amp;lsquo;picanha&amp;rsquo; e pela festa&amp;quot;, disse. As &amp;quot;picanha&amp;quot; às quais ele se referiu vieram de bois abatidos &amp;ndash; um por dia &amp;ndash; pelos índios para comemorar sua &amp;quot;visita&amp;quot; à aldeia. Depois do discurso, ao som de palmas e brados de felicitação, os cintas-largas presentearam o espanhol com um colar. O procurador Reginaldo Trindade recebeu tratamento semelhante.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;span class="revistascorpo"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O texto continha cacos primários, toscos, típicos da atual fase da revista, como esta pérola:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font face="Verdana"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Em janeiro, Márcio Meira, presidente da fundação, nomeou para o cargo o cacique Nacoça Cinta-Larga, um dos indiciados pelos assassinatos dos garimpeiros. Como se vê, esse Nacoça só não é paçoca porque as autoridades da região pouco fazem para impor o respeito às leis&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;font size="6"&gt;&amp;quot;&lt;/font&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;span class="revistascorpo"&gt;Em nenhum momento se mencionava o nome do governador Ivo Cassol. E a versão do procurador foi desconsiderada.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;span class="revistascorpo"&gt;Ele afirmava ter ido à aldeia, acompanhado do representante da ONU, para convencer os cintas-largas a abandonarem a extração ilegal de madeira e de diamantes. Levava a proposta do governo, de alternativas à exploração irregular.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;&lt;span class="revistascorpo"&gt;Houve uma discussão com os índios. &lt;/span&gt;A liderança principal defendia o fim imediato da extração e negociação com governo. Outro grupo defendia que devia continuar até ter garantia maior de que o governo iria cumprir a sua parte. Concluiu-se que só poderiam aceitar na presença do presidente da Funai. A posição dos índios foi então de que ninguém sairia dali até o presidente da Funai chegar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Não foi um seqüestro, no sentido clássico, mas uma restrição de liberdade, para poder resolver de vez a questão. Nem o representante da ONU foi proibido de tomar banho de rio, nem o procurador de falar ao telefone.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font size="4"&gt;Montando o dossiê&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Saber quem é esse procurador, e seus embates com Cassol, ajudará a entender a montagem.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Antes do esquema ser desbaratado pela Operação Titanic, da Polícia Federal, a única força a enfrentar Cassol e seu grupo político era o procurador Trindade. Especialmente em questões envolvendo a área indígena.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;Há anos Cassol buscava desmoralizá-lo, em uma típica tática de assassinato de reputação, visando enfraquecer os inquéritos contra ele. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana;"&gt;&lt;font size="2" face="Verdana"&gt;A matéria da &lt;strong&gt;Veja &lt;